Depressão

Finalmente serei feliz!

Vou abandonar este corpo triste. Vou desencarnar deste lugar sombrio e permitir-me ser feliz de verdade!
Por um dia que seja,
Vou sair daqui.
Meterei o meu corpo em pausa e só a minha mente poderá levitar.
O corpo? Não o quero para nada. Vou deixá-lo ficar…
Ali, imóvel, num canto sombrio e doentio.
Pode até ficar na cama.
Não me vou importar!
Só assim, esquecendo todo o meu
Sofrimento serei feliz de verdade.
Quero estar acordada quando decidir!
Quero sentir a energia a fluir.
Serei uma bailarina!
Serei um viajante!
Serei um aventureiro!
Serei uma princesa errante!
Serei um professor!
Serei um doutor!
Viajarei pelo mundo fora.
Conhecerei paisagens maravilhosas.
Os cheiros…Ai! Os cheiros…Esses ficarão gravados por onde eu passar.
Serão o meu passaporte quando já não puder mais andar.
Os cheiros são grandes activadores de memórias que nos trazem histórias há muito vividas.
E nem preciso ver a luz do dia para o recordar.
Nada me impedirá de sonhar nem que
Seja por um só dia, de modo a esquecer
Que a felicidade há muito tempo me abandonou.
Não faço planos para mais nada, a não ser dar uma oportunidade a mim mesma de voltar a ser feliz! (Mas até isso na realidade já não me interessa para nada.)
Nem que seja somente num sonho. Mas peço! Peço todos os dias que esse sonho chegue rápido.  A minha esperança e a minha paciência já não querem aguardar.  Mas eu sim! Aguardarei um pouco que seja para poder viver esse  maravilhoso sonho que todas as pessoas mentalmente saudáveis me dizem para tanto esperar. Eu sei! A vida é fugaz e eu aqui a lamentar-me, com tantas pessoas a quererem trocar de lugar comigo. Não  com a minha doença.  Somente com o meu corpo. Este que tenho e não quero nem me importo com ele. Sim eu sei! Que o meu acto é visto como um acto de egoísmo. Afinal, existem tantas pessoas doentes e a morrerem e eu aqui indecisa se quero viver… Mas o que vocês não entendem, é que a minha alma pura e feliz há muito que abandonou este corpo desgastado pela dor e pela amargura. Hoje já pouco me resta, porque não é que eu não queira, mas não consigo deslumbrar da vida como vocês tanto me relatam. Não me importo que me chamem de egoísta quando na verdade vocês não sabem o que é viver no meu corpo.  Não sabem o que é  viver nesta carapaça assombrada.  Nesta casca velha, maltratada pela dor, a angustia e o desespero. Por isso fiquem calados! Ou simplesmente não nos ofendam, porque nós os depressivos somos seres desvalorizados. A nossa dor não vos interessa verdadeiramente para nada! Mas no final…bem no final vão ter pena de mim, mas já não valerá de nada. Para já, ficarei somente assim. Meterei o meu corpo em pausa e só a minha mente poderá levitar. Por isso deixem-me estar.

(Este texto é meramente, uma consciência por muitos partilhada e por quem eu tenho um sincero respeito.)

Se por acaso te identificas com ele, por favor pede ajuda! Conta a alguém da tua confiança e acredita que ainda vais conseguir voltar a sorrir de novo com gosto e esperança.

Se por acaso conheces alguem assim, não desvalorizes este ser, que só quer compreender como pode fazer para desaparecer com a dor que lhe consome a alma.

Este texto foi escrito de modo a poderem reflectir de verdade sobre o que o teu próximo sente perante a maldita doença do cancro da alma.
Quando estiverem na presença de alguém que sofra desta maneira. Respeitem-na!
Poderá ser a única ajuda verdadeira que ela aceitará.

Com carinho e o maior respeito por todas as pessoas que sofrem com Depressão, Ansiedade, Esquizofrênia e Bipolaridade.

(Texto de autoria de Rute Reis Figuinha.)

Foto do google

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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