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Existem muitas mães que se fecham!

Diversas vezes me questionam do porquê eu dispender da minha energia em prol dos necessitados.

A minha resposta é sempre a mesma!

Eu não dispenso de energia nenhuma, eu partilho a minha mágoa, a minha compaixão, que apenas chega aos corações de quem realmente precisa.

Não o faço pela visibilidade, nem pela fama, nem para ser considerada heroína nenhuma.

Aliás que mãe o faria?

Faço-o porque encaro este modo de vida como uma missão deixada pelo meu filho Pedro no seu leito de morte e na sua história de vida.

A depressão mata e numa maneira geral muitos são os pais que após a perda do seu filho, mergulham numa depressão profunda e sem retorno.

Tenho a certeza que se encarassem a morte como tantos livros nos explicam, que tudo se tornaria muito mais fácil de aceitar e com isso honrar a vida dos que partiram mais cedo.

Todas as pessoas de uma maneira geral queixam-se da falta de compreensão pela parte dos demais que os rodeiam no seu dia a dia, quando partilham os seus problemas e dilemas, que embora seja importantes, não deixam de ser passageiros, a menos que seja algo que tenha a haver com a saúde ou miséria.

Então…

Porque não entenderem que as mães e pais defilhados, sofrem atormentados o resto de suas vidas com a falta daquele filho em específico? Muitos deles, perante a perda do seu único filho.

Dá para entender este sentimento de agonia permanente??

Compreendem agora?

Não?

Eu explico!

Estes pais, apenas aguardam o dia de sua morte para se juntarem ao filho que perderam.

Porque nada mais têm que os mantenha vivos apesar de se mexerem, comerem, falarem.

Todas as frases que partilho e que são de minha autoria, refletem o que todas nós sentimos diariamente.

Umas mais cruéis, que são bem as do início da nossa caminhada, outras mais de esperança, porque mesmo no caminho da dor e da saudade temos momentos de lucidez, onde colocamos o amor pelos nossos filhos em sintonia connosco.

Sabem…

Ser uma mãe defilhada ou enlutada como queiram apelidar, é como ir todos os dias para a frente de uma batalha e lutar contra tudo e todos e mesmo assim curar as nossas feridas e voltar à carga no dia seguinte.

A meu ver, cada uma de nós deveríamos ser mais complacentes com a dor do próximo, afinal, não conseguimos saber o que realmente aquele pai ou aquela mãe sente, mesmo que tenhamos passado pela mesma história de vida.

Acreditem que é verdade!

Eu encontro diversas mães na minha caminhada e todas elas têm uma forma diferente de encarar a perda do seu filho. Todas elas têm uma forma diferente de lutar contra essa falta.

Todas elas devem ser respeitadas na íntegra, porque o amor, a saudade, a falta que cada um desses filhos lhe faz, pode ser sentido de maneira diferente.

Metam uma coisa na cabeça!

Somos todos diferentes!!!

Eu não posso chegar para uma mãe que perdeu recentemente um filho e dizer que tudo vai ficar mais leve e a esperança irá voltar a seu tempo a fazer parte de sua vida.

Não posso! Porque é cruel demais!

Aqueles pais acabaram de perder parte ou mesmo tudo o que tinham como essência de vida!

Tudo o que eu coloco na escrita, são partilhas de passagens que me aconteceram, realidades que eu já presenciei e não as desejo a ninguém.

Eu mesma chego a não ter palavras para dirigir a uma mãe que perdeu um filho há dias, semanas.

Porque, na realidade não há nada a ser dito que conforte.

A menos que seja uma frase tão simples quanto esta:

“Estarei aqui se precisar de um abraço ou de alguém para chorar junto.”

Isto pode sim fazer a diferença.

Existem muitas mães que se fecham!

Sim…

E sabem porquê?

Porque em todas as pessoas elas vêm ausência de compaixão verdadeira.

Frases feitas sem conexão de alma.

Frases ditas somente porque alguém as escreveu um dia.

Vocês não sabem…

Mas todas as mães e pais defilhados sentem!

A minha finalidade na página criada em memória ao meu filho, busca um único sentido.

O de levar esperança ao coração de cada mãe e pai que lutam diariamente por se manterem vivos. Não pretendo mudar mentalidades!

Não pretendo obrigar ninguém a nada!

A minha única finalidade é a de confortar, porque sei que chega a altura em nossas vidas, em que falar sobre o filho que perdemos torna-se um peso na vida dos que nunca perderam ninguém dessa magnitude.

E doi!

Como doi!

E muitos nem se apercebem do quanto nos afastam a cada instante que sem se aperceberem demonstram com uma simples postura de corpo.

Incrível não?

O nosso corpo não mente!

O nosso cérebro não o permite!

E nós mães e pais defilhados ficamos com os nossos sentidos bem mais apurados.

Mãe!

Não sintas vergonha de falar do teu filho, não tenhas medo de o fazer em voz alta. Nunca perderás mais do que já te foi tirado!

Lamento que os demais não entendam, que tal como eles têm a necessidade de falar de seus filhos e dos progressos que alcançam, nós temos a necessidade de lembrar os nossos que partiram.

Esta pequena acção faz-nos sentir vivas e parte de um todo!

Ao qual lhe atribuirmos o nome de Maternidade!

Pensem em tudo isto e reflitam as vossas ações quando estiverem na frente de alguém que vive sem o batimento cardíaco do seu coração.

 

Com carinho,

E um enorme respeito por todos os pais defilhados.

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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