Amor Pedro Saudade Tristeza

Estou aqui graças a ti!

Foste tu quem me salvou da solidão.
Foste tu quem me empurrou para a mesma.
O plano, era garantir que nunca estaríamos longe um do outro…
Mas agora, estou aqui…
…sozinha e longe de ti.
Não estás mais aqui, mas estás por todo o lado…
Na chuva, no orvalho, no vento, no sol, na lua, no céu, nas flores e no oceano.
Só querias um propósito na vida, mas não o encontraste.
Foste encontrá-lo na morte.
Estou aqui graças a ti,
recomeçando, lutando, reconstruindo em tua honra.
Vives em tudo o que eu faço.
Em todos os pensamentos.
Em todos os momentos.
Serás sempre a minha razão de viver.
Serás o meu amor para sempre.
Amo-te!
Não de ontem,
Não de hoje,
Não do amanhã que ainda está por vir,
Mas desde sempre e para sempre!
Desde que te senti vivo dentro de mim.
Desde que soube que o meu ventre gerava uma das mais belas sementes do amor.
Desde que senti o primeiro desejo. E foram tantos…
Não me refiro somente aos gastronómicos, mas a todos os que tive na vida para ti, para mim, para nós.
Mesmo perante todas as minhas quedas, magoas, tristezas, existe uma amargura que permanece, embora trancada e oprimida, porque nem sempre a deixo sair, mas tem dias que ela me supera e eu fico perdida na forma como reagir.
O dia.
Aquele dia que eu desejava nunca ter vivido.
Aquele dia que eu congelei e tento apagar a todo o instante da minha mente para me permitir viver.
Aquele truque que a nossa mente faz tão bem em apagar da nossa alma todo o sofrimento que nos fica impossível de reviver.
Mas ele não desaparece na totalidade.
Ele só fica adormecido até que novo acontecimento nos resgate para a realidade.
Talvez seja essa a minha vantagem.
Desde pequena que lidei com o sofrimento, imposto por vários aspetos na minha vida e fui arranjando estratégias para me defender de todos eles. Nem sempre foi fácil. Porque na verdade, todos eles me doíam e permaneciam muito tempo na minha mente. Mas, quando tomava consciência que estavam muito além das minhas capacidades para os reverter, colocava-os em pausa.
Uma pausa permanente, de modo a não gastar mais da minha energia em algo que não tinha como ser diferente.
Não dependia só de mim, mas de outros também.
E com a perda, a morte é o mesmo.
Não tenho como reverter o tempo.
Não tenho como fazer desaparecer esse dia da minha história.
Então…
Deixo simplesmente o tempo correr.
É tão incapacitante e arrebatador a dor que se sente constantemente com a partida de um filho, que se não procurássemos várias formas de nos mantermos vivas, todas morreríamos no dia em que eles fazem o desencarne.
Literalmente!
Ser mãe pode ser maravilhoso e terrível ao mesmo tempo.
Nem todas as mães são plenas.
Nem todas as mães são felizes.
Nem todas as mães são completas.
Nem todas as mães são ídolos.
Nem todas as mães são invencíveis.
Nem todas as mães se sentem vivas no sentido verdadeiro da palavra.
Nem todas as mães são respeitadas e seguramente compreendidas.
Com saudade,
Amo-te filho!
A mãe do meu filho tem asas.
– Rute Reis Figuinha –

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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