Gratidão Luto Morte Pedro Saudade Tristeza

E o abraço surgiu de uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida!

Hoje enquanto aguardava pelos teus irmãos e pai no Judo, ouvia a tua playlist que anda comigo para todo o lado, onde oiço com muita atenção todas as músicas que lá foram colocadas por ti. Onde todas elas trazem uma mensagem que escuto com cuidado na tentativa de encontrar algo para mim. E sim! Muitas delas tem uma mensagem que escuto com o coração e torna-se impossível não chorar. Os olhos inundam-se e as lágrimas logo se apressam a cair. E eis que surge um momento.

Uma senhora passa por mim e sinceramente nem me dei conta se me desejou boa noite, isto porque eu de facto ouvia as tuas músicas. A senhora vai para o exterior, fuma um cigarro e eu ali fico a balançar as pernas ao som da música.

Tinha estado a chorar, mas logo me apressava a limpar as lágrimas, porque não pretendia “dar nas vistas” a ninguém, e muito menos de sentir aquele sentimento de impotência face a qualquer coisa que me dizem.

A porta do pavilhão ficou presa e apercebo-me que a senhora queria entrar e não conseguia. E eu lá fui, coloquei um sorriso nos lábios e fui abrir a porta à senhora. Regresso ao meu lugar e coloco de novo os phones nos ouvidos, quando sou surpreendida pela senhora a falar comigo e questionando-me se me podia dar um abraço. Penso que a senhora teve que repetir, porque de facto eu já havia colocado os phones nos ouvidos enquanto a música tocava. E por isso julgo que a senhora repetiu.

Senhora – Posso dar-lhe um abraço?

Eu – Desculpe? Quer me dar um abraço?

Senhora – Sim! Posso?

Eu – Pode sim! Dê-me um abraço! (e na minha mente somente ouvia o meu coração a gritar, preciso tanto do seu abraço, não a conheço, mas o seu abraço vai fazer-me muito bem. Obrigada, obrigada, era só o que o meu coração gritava, enquanto sentia o calor do corpo desta mulher que me abraçava e beijava).

“Leio tudo o que escreve” – disse-me a senhora. – Não vivo cá, vivo em Inglaterra, mas sabe como o é o facebook, chega a todo o lado.

E entre outras coisas que me disse, que não me parece que seja importante partilhar, tendo em conta que assim como ela, que me encontrou sem precisar, se a pessoa precisar, irá procurar o que escrevo, para de alguma forma acalmar, ou o alertar para situações destas, faz-me acreditar que me encontro no caminho certo.

Não lhe perguntei o nome, fiquei a saborear o momento e voltei para o meu cantinho e para a música do meu filho Pedro.

Obrigada é pouco para o seu gesto, que sem saber chegou mesmo no momento certo onde eu somente precisava de um abraço.

E o abraço surgiu de uma pessoa que eu nunca tinha visto na vida!

Grata de coração.

Perguntam-me como consigo?

Não consigo!

Vou conseguindo!

Todos os dias um pouco mais e mais. Todos os dias agarro-me a um sorriso, a uma gargalhada que me faça seguir em frente.

Não há dia em que eu não chore. Já lá vão uns meses em que raramente podia dizer ou lembrar-me que chorava.

Hoje o sentido é bem diferente.

Todos os dias choro, e é só há cerca de uma semana que já passo boa parte do dia a rir.

Voltei a brincar! Nesses momentos esqueço-me de mim verdadeiramente e foco-me num dos momentos mais altos do meu dia. Todos aqueles sorrisos, beijos e abraços aquecem o meu coração.

Sou grata, imensamente rendida por a minha vida ter voltado a mudar. Mas o choro não me abandona. Particularmente de manhã e por vezes à noite, quando me sinto mais caída. É tão difícil! cada momento envolta de solidão em que mergulho nas memorias e fica difícil de respirar.

Queria tanto apagar todos estes sentimentos de pesar do meu coração, mas não me é permitido.

Como eu gostaria de recomeçar a nossa história filhote e trazer-te de novo à vida.

Com uma enorme saudade,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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