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É nos braços de outro filho que acalmo o meu sofrimento.

É nos braços de outro filho que acalmo o meu sofrimento.
É nos abraços de outro filho que recebo o amor que ficou parado no tempo.
Sei que não és tu, sei que não estás mais aqui fisicamente, mas é nas conquistas que os teus irmãos fazem diariamente que eu encontro a força para continuar a lutar por eles.
Apesar de muitas das suas conquistas me deixarem a deambular envolta do pensamento de como seria contigo aqui, não desisto de lutar por mim.
És e serás sempre presente nos nossos corações e na nossa mente.
As conquistas dedicamos-te a ti.
À força que tiveste um dia antes de adoecer.
É nos braços dos teus irmãos que vives vivo na minha mente.
Aprendi na amargura e na dura realidade que é de não fazeres mais parte do mundo terrestre que temos que continuar lutando diariamente. Mesmo com a dor, com a saudade, com a memória do que foste e serás sempre para nós.
Se todos os dias fossem fáceis, a ausência de um ser como tu não custaria tanto, mas sabemos que isso não é possível.
E o desfecho que idealizas-te para ti não te define como gente.
Estavas doente, perdido, confuso e imensamente magoado com a vida.
Com todas as derrotas e conquistas que te sabiam tão a pouco que não foram capaz de vencer a tua vontade de desistir.
Não é fácil para uma mãe e um pai verem o seu filho partir.
Não se concebe!
Não se aceita!
Mas temos que fazer o esforço mental e físico de se conseguir todos os dias, conquistar um pouco mais do nosso gosto pela vida.
A morte muda-nos por dentro, mesmo que saibamos desde pequenos que tudo tem um início e tudo chega a um fim.
Que na vida tudo se ganha e tudo se perde.
Somos ensinados a perder e ganhar desde pequenos, mas nunca estamos preparados para perder um ser que tanto amamos.
Não é aceitável!
Não é concebível!
Não deveria ser humanamente possível termos que viver daqui para a frente.
Mas é!
E essa força existe dentro de nós, no tempo exato ela aparece na nossa frente.
Eu escolhi a vida!
Eu escolhi o amor!
Eu escolhi a memória dos tempos felizes e infelizes que me tornaram na pessoa que hoje sou!
Há muito, que deixei a raiva de lado.
Há muito, que te perdoei.
Há muito, que aceitei que tu estavas desesperado numa dor que te corroía a alma até deixar todo o teu corpo doente.
Tanta força que tu tinhas, e no final a única força que encontraste foi a de me dizeres… “Adeus!
Amo-te muito mãe, mas não aguento mais este sofrimento.”
Hoje sou eu quem aguenta todos os dias o sofrimento de ter ficado privada de ti.
Amo-te filho meu e estou em paz contigo e comigo.
Grata por seres esse ser de luz que ilumina todos os dias da minha vida, onde eu sei que continuas presente.
Com amor,
A tua mãe.
A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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