Amor Auto-ajuda Esperança Gratidão Luto Saudade

É essa a fonte da minha força. Amar-me e permitir-me viver.

Este fim de semana fui dizer um olá à vida e agradecer tudo com que sou agraciada durante a minha caminhada por aqui neste lugar que por vezes se torna tão arriscado.

Os quatro carregámos o Pedro em nossos corações e juntamente com o nosso querido Bonnar, fomos rumo a um local que nos providência calma e um respirar mais puro perante a vida.

Confesso que já não ía lá há uns quatro anos, tempo demais se querem saber. Mas esse facto não se deve ao local em si, mas porque tenho outros espaços igualmente puros e mesmo à saída da porta de casa para poder contemplar.

Ainda lutei um pouco contra ao regresso a este local, porque me avivam imensas memórias onde a felicidade estampada no rosto do meu filho Pedro eram uma constante. E voltar a um local onde ele não estaria fisicamente, esteve atrasar a minha visita até ontem.

Mas carreguei a saudade comigo e fui acalmá-la lá bem num sitio em que ele amava estar.

Pegámos nas mochilas, com comida à medida para não pesar muito nas nossas costas, com as nossas redes e alguns agasalhos lá nos colocamos a caminho do que se tornou numa autêntica terapia em família.

Quanto ao Pedro, sei que ele também andou por lá, no nosso pensamento, nos nossos corações e mais que não fosse carregado junto a mim num medalhão com asas onde guardo um dos nossos beijos.

Escutei com atenção o som da água, o som dos pássaros, o chilrear das águias e o cantar dos mochos ou corujas na noite. Até o nosso Bonnar uivou e ladrou a algum animal que nem sabemos bem qual, mas que tentou aproximar-se e o Bonnar não deixou.

Vimos danças maravilhosas de borboletas enquanto os raios de sol incidiam nelas e a nós no deleitavam como que por magia estivéssemos nós no ar e a dançar.

Vimos pirilampos já com a noite bem escura e eles por cima do rio iluminavam pequenos pontos na escuridão.

Percebem agora onde eu busco a energia para simplesmente acreditar que a vida ainda tem tanto para me dar?

Quando surge aquele dia em que nenhum pai quer viver, onde ocorre o momento mais doloroso das nossas vidas, que é a perda de um filho ou filha. Conforme já referi em muitos dos meus textos. Perdemos a alegria de viver, perdemos o chão, perdemos a força para respirar, para acordar, para fazer o mais simples gesto que é o de levar comida à boca. Recordo-me de ter escrito e ter mencionado que jamais conseguiria sorrir novamente, e que os sorrisos que colocava no meu rosto para fotografias que ainda levei algum tempo a tirar, eu dizia que eram mecanizados, esforçados, tirados mesmo a ferros.

E de facto eram. Hoje já não posso dizer o mesmo. Tenho conseguido mais leveza nos sorrisos que partilho e nas gargalhadas que consigo ecoar no tempo e no espaço.

Porque o que me mantém viva é a paixão que eu tenho por mim e pela vida e em vivê-la. Mesmo com a perda do meu filho Pedro. Mas… Eu permito-me viver assim, amando o que ele foi para mim. amando o que eu fui para ele. Chorando quando tenho que chorar. Permitindo-me rir e gargalhar quando tenho que rir e gargalhar.

Viver tudo o que é suposto no Luto sem lugar a exageros.

Se nos permitir-mos chorar mas não perdurar tempo demasiado na tristeza, é possível viver sim. Recordando, tendo saudades, agradecendo o que vivemos com o filho que partiu ou com a pessoa (pai, ou mãe) ou (amigo), o que eles foram para nós e o quanto deixaram as nossas vidas mais ricas.

Tenho dias em que choro menos do que outros, porque cada vez mais, começa a ser frequente sorrir com as lembranças felizes que perduram no tempo e no espaço. Porque o meu filho era uma constatação de felicidade em cada poro da minha pele, em cada batida do meu coração.

E porque ele morreu, estive adormecida na dor. Nada me parecia tão bonito como antes. Tive dias em que me era difícil levantar da cama. Em que eu achava que a vida tinha perdido totalmente toda a cor e de que passaria a ser somente em tons cinzas, pretos e brancos. Mas eu precisava reagir, por mim, pelos meus filhos, pelo meu marido, pela família que está presente.

Tenho consciência que o tempo não pára e a saudade…Ai a saudade! Essa teima em perdurar por todos os tempos e em aumentar todos os dias perante uma memória que nos ocorra.

Tenho aprendido que é normal nos perdermos de nós mesmos por uns tempos, mas que é igualmente importante retornar o caminho da vida e vivermos com o que nos é possível. Porque recordar é viver e todos os dias o Pedro vive em mim. Eu não o deixo morrer. Sou grata por todas as lágrimas de felicidade em cada memória, grata por todas as lágrimas em cada falta, grata por tudo o que vivi com ele e por todos os anos, dias, horas, minutos e segundos que desfrutei do seu amor e principalmente da sua companhia.

Porque vos escrevo isto?

Para vos levar um pouco de incentivo!

Para que de alguma forma vos crie um pouco de curiosidade em pelo menos tentar.

Dar tréguas para a dor, viver pelo amor e voltar a sorrir, voltar a viver, permitir-se sonhar de novo.

E nunca esquecer que este caminho é só meu, muitos podem andar ao meu lado, mas somente eu posso percorre-lo.

Com carinho e um especial agradecimento pela energia renovada durante este fim de semana,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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