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É demasiado difícil imaginar entrar em 2020 sem parte de mim.

É tão difícil!

É demasiado difícil imaginar entrar em 2020 sem parte de mim. Pensar que durante a passagem de ano referente a 2018 e entrada em 2019 desejei felicidade, saúde, amor e que todos os desejos, sonhos e projectos de meus filhos e os nossos fossem cumpridos.

Comi as 12 passas, vesti as cuecas azuis, estreei uma peça de roupa nova e coloquei-me em cima de uma cadeira. Tudo supostas tradições que me trariam um ano cheio de acontecimentos ricos em felicidade e sorte.

Aqueles costumes que muitos de nós fazemos desde pequenos, porque aprendemos com os nossos familiares.

Enganei-me!

Ainda não tinha chegado a meio do ano e já desejava que o ano de 2019 nunca tivesse acontecido.

Que estes 365 dias não fizessem parte do meu calendário. Que não definissem uma parte da minha vida.

Não quero mais saber dessas tradições!

Passarei a noite conforme o faria durante um jantar com amigos e não quero mesmo saber de votos de feliz ano 2020.

Constato que não muda nada o facto de proferirmos as palavras de Feliz Ano Novo.

Aprendi que não depende unicamente de nós. Depende igualmente dos outros.

No nosso caso em concreto dependeu somente de uma decisão do nosso filho para tudo passar a ser diferente.

Por isso somente agradecerei as minhas mudanças de ano, após o outro, até chegar a minha hora do adeus. A minha passagem de ano será de agradecimento, por estar viva, por ter comida na mesa, por ter saúde, por poder trabalhar, por amar e ser amada.

O resto?

O resto, não depende somente de nós, depende de todos os seres vivos que nos rodeiam, do universo, e da nossa força interior.

Por isso sim!

Passarei somente a agradecer, deixando os votos de desejos para quem é realmente feliz ou a sua vida permanece inalterada face à morte.

A mim, a morte, deixou-me profundamente marcada e sem vontade verdadeira de sorrir.

Boas festas, porque quanto ao facto do ano ser feliz, não depende somente de nós.

Depende de diversos factores.

Depende dos sonhos.

Depende das vitórias.

Depende da esperança de cada um.

Por isso, desde o dia 24 de Maio, que simplesmente agradeço e não peço mais nada.

Deixo-vos os votos de tudo de bom!

Deixo-vos uma única adenda que espero que a tenham bem presente em vossas vidas.

Não tomem nenhuma decisão que coloque a vossa vida em risco e um percurso demasiado cruel e doloroso para quem fica para trás chorando por vós.

Repensem em todos os vossos passos, e decisões. Não façam nada precipitado que vos leve a um acto de loucura, porque quem fica, depois de vos ver partir, ficam a sofrer até morrer.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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