Depressão Sociedade Tristeza

Dizem por aí…

Dizem por aí, que as pessoas têm que se anular, só porque estão tristes e porque vivem amarguradas. Que como passam uma energia estagnada não interessam para nada. Dizem por aí, os entendidos na mente humana, que estas pessoas são malucas, insanas, doidas varridas, loucas em último plano. Dizem por aí, que não têm paciência nenhuma para ouvir os seus queixumes, as suas lamentações, os problemas que têm porque não são do interesse dos mesmos em serem resolvidos. Dizem por aí, que gostam de se fazer de vítimas, gostam das atenções, gostam de receber aquela mensagem tão aguardada no final do dia.

“Como estás?”

Dizem por aí, que são preguiçosas, que não querem é trabalhar, que são autênticos parasitas da sociedade, que levam os descontos de quem trabalha no duro todos os dias, enquanto que os ditos “malucos” ficam no bem bom deitadinhos na cama a sugar a liquidez no final do mês imposto como uma subsidio de emprego ou uma comparticipação da segurança social. Dizem por aí, que são uns drogados, unicamente viciados em medicação para os fazer alucinar ou dormir ainda mais.

Mas não ficamos por aqui…

Dizem, que são chatos, aborrecidos, sugadores de energia, viciados na tristeza, pessoas negras e sombrias. Dizem ainda que vivem num pesadelo criado unicamente na sua mente por ainda acreditarem em contos de fadas, que quando confrontados com a dura realidade da vida, caem como castelos de cartas.

Perfeitas figuras a preto e branco, de corpo curvo, cara triste, olhos espelhados, cabelos desgadelhados, dedos amarelos de tanto fumarem, hálito aguçado pelo cheiro do álcool. Pessoas de sorrisos esboçados onde a preguiça impera até nos lábios.

Dizem por aí, que a Depressão não existe. Que é unicamente uma desculpa para se ser coitadinho a vida inteira. Dizem por aí, os entendidos na matéria que os depressivos vivem como os animais oprimidos que fogem perante um simples acenar de mãos.

Dizem por aí, que são antissociais, que não sabem viver em grupo, que não sabem falar com as pessoas, que não sabem estar. Dizem por aí que se isolam do mundo, isolam-se deles mesmos e que a única coisa de que falam é da sua vontade em se matar.

Dizem por aí, que nada querem ter que haver com pessoas destas que só lhes trazem agonia e o que eles precisam é de copofonia e uma boa caneca de cerveja ao final do dia.

Quanto ao terem uma relação amorosa com uma pessoa depressiva… “Ai meu Deus! Livra-me disso! Não quero gente dessa à minha volta, eu quero gente normal como eu e sem paranoias paranormais em que acreditam que os demónios se apoderaram deles e que me sugam a energia e a beleza que tanto esboço ao mundo. Quero estabilidade e uma pessoa destas não me consegue dar estabilidade. Não quero! Não quero!”

E afastam mais um do grupo onde estava inserido só porque naquele dia em especifico a pessoa se sentia mais triste do que o normal e é logo considerado como um Freak. Esperem! Agora em Português! Um Anormal!

Pronto tenho dito!

Isto é o que eu tanto tenho ouvido por aí… É triste, mas enquanto a sociedade pensar assim… Muitas são as famílias que irão ficar mais pequenas.

É mais do que urgente acolher todas as pessoas com distúrbios mentais. Se é difícil? Sim!!!! Mas pergunto eu! Não será mais difícil viver sem elas? Lamentando o facto de no final ser tarde demais porque ou ele se afastou e não quis ajuda, ou porque ele pediu ajuda e a mesma foi-lhe negada.

Já é hora de fazermos todos mais e mais do que simplesmente lamentar mais uma perda no seio familiar!

Vais continuar a ser cúmplice em cada morte por vontade própria ou vais ajudar?

Com um enorme respeito por todos os doentes mentais,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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