Saudade

Diálogo com a Morte

– Quem és tu?
– A MORTE!
– Porque teimas em falar comigo?
– Porque quero que tu saibas que eu não tive a culpa pelo sucedido.
– Como não? Se me levaste um diamante da minha riqueza mais profunda.
– Eu não o levei, eu acompanhei-o o caminho todo. Ele foi pelo seu próprio pé e de mãos dadas comigo.
Já me tinha chamado outras vezes sabias?
Mas eu quis–lhe dar uma opção de escolha e que tivesse mais tempo para reflectir.
Mas ele via o tempo a urjir e sem vontade de continuar a viver.
Na sua ideia, faltava-lhe muito mais que o amor às pessoas, faltava-lhe o amor à vida.
– E porquê? Porque razão não me avisou ele desses pensamentos obscuros? Porque não me avisaste tu, que o meu filho estava em apuros?
– Porque ele não tinha mais força, nem ânimo, nem prazer. E quanto a mim?
Eu sussurrei-te ao ouvido quando ás 16:16 agarras-te no telemóvel e falas-te com ele, disse-te baixinho. – “Pega no teu carro e vai ter com o teu filho e compra o passe escolar com ele”, mas tu pensaste ser somente fruto da tua imaginação e não ouviste com atenção a minha mensagem. E agora, nunca saberás se teria feito ou não diferença no impacto da sua decisão.
– O dia 24 foi tão complicado que eu não escutei o meu coração. E acabou por se transformar no dia mais infeliz da minha vida.

Amo-te e amar-te-ei eternamente Pedrocas 💙😭

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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