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Dia de Finados em tempo de Covid-19

Este é o meu segundo dia de Finados sem a presença física do meu filho Pedro.

Felizmente não o tenho a descansar num cemitério, serão estaria bastante agoniada e revoltada com implementações impostas este fim de semana.

Senão vejam!

Foram colocadas algumas medidas como proteção a todos os enlutados que durante este dia em particular, procuram estar mais próximos dos seus entes queridos já falecidos.

Esses limites e medidas foram impostos pelos municípios. Porém nem todos fecharam as portas neste dia.

Alguns cemitérios apenas permitiram que as visitas durassem 15 minutos e em outros apenas a lotação máxima de cinco pessoas.

É duro!

Triste!

E digno de indignação por parte de todos os que escolhem este dia de modo a poderem estar mais perto de quem partiu.

Muitas famílias têm seus entes falecidos em cemitérios próximos, mas existem outras que os têm muito longe e por isso escolhem esta data em específico para lhes dedicar manifestações de carinho e saudade.

Mas com a regra do confinamento estiveram impedidas de o fazer.

Dizem os entendidos na matéria que esta limitação, foi imposta com o objectivo de conter a transmissão do vírus e a expansão da doença, visando evitar que a circulação dos cidadãos se faça para fora do concelho de residência habitual, de modo a não contribuir para um foco de maior transmissão da doença.

Agora pergunto eu!

Então e os jogos de futebol, meu senhores?

Ainda esta passada quinta dia 29 de Outubro, tivemos um jogo entre o Benfica e o Standard Liége em que os bilhetes esgotaram.

Ou então temos a celebração do 25 de Abril onde mesmo assim estiveram presentes mais de 100 pessoas.

Vamos para o primeiro de Maio!

Outro evento que ocorreu com mais de 500 pessoas na Alameda D. Afonso Henriques.

Ok! ok! ok!

Falemos então da festa do Avante, onde mesmo com todas as regras impostas à data, contou mesmo assim com enchentes para ver os humoristas e os concertos.

Há esperem!

A desculpa é de que não foram tantas pessoas como nos outros anos, mas…

Segundo entendidos na matéria mesmo assim as poucas pessoas que foram, valeram mais de 1 milhão de euros de receita e sem impostos!

Bem!!!

Somos um país de duas contas, duas medidas!

Um país em que as pessoas não tiveram medo do Covid 19 e assim foram para um ajuntamento contemplar as enormes ondas da Nazaré!

E mais poderia ser salientado num país que define regras rigorosas para as famílias Enlutadas, enquanto que nas datas comemorativas, mascaram-nos com regras para nos enganar e de olhos bem abertos.

Mesmo que sejam olhares cheios de dor e sofrimento!

Que me desculpem a minha ignorância mas não consigo visualizar um cemitério cheio de pessoas a não ser que seja num funeral.

É que na realidade também existem famílias que se esquecem dos seus mortos debaixo daquela lápide trabalhada.

Daí lamentar o fato de não terem permitido a todos os quantos cumprem a mais simples tradição da visita no dia de finados ao seu ente querido que partiu.

Leva-me a uma outra conclusão!

Um país que vive da mentira!

Não podem estar mais de 5 pessoas num velório ou funeral. As famílias nem se podem despedir convenientemente do seu ente querido. Os amigos não podem prestar-lhe a sua última homenagem.

Há esperem mais uma vez!

Têm que o falecido ter sido uma figura pública para que o funeral ocorra com as tradições normais.

Indignação pura!

Obrigada Portugal!

Viva o Covid-19 e todas as festas em que ele é permitido participar!

Com tristeza,

A mãe do meu filho tem asas

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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