Luto Pais Sociedade

Debato-me com uma realidade que me magoa!

Debato-me com uma realidade que me magoa.
Uma realidade que a qualquer dia será colocada em prática.
Na verdade é uma realidade vivida no papel de mãe defilhada ou no papel de mãe completa.
A verdade do crescimento desse ser que tanto amamos.
É do conhecimento de todos que tenho mais dois filhos comigo.
O David e o Francisco.
Mas em verdade vos digo que o meu papel há mais de 22 meses que ficou pela metade.
A saudade magoa-me a cada instante e a realidade… Ai meu Deus!… Como doi, que chega a ser dilacerante. Mesmo que eu cante, dance, festeje, agradeça, pinte, escreva, exercite o meu corpo e tudo o que uma pessoa completa faz.
Nenhuma mãe vive preparada para o dia em que de forma natural os nossos filhos ganham asas e voam para os seus ninhos.
E hoje, perante a minha realidade de ter ganho um filho com asas e de o mesmo ter escolhido o céu para viver o resto da minha vida, deixa-me ainda mais frágil à possibilidade de ver crescer os outros meus filhos.
Não obstante do papel de uma mãe ser o de incentivar o seu filho a voar. Fica difícil quando esta realidade está prestes acontecer.
O meu filho David por exemplo fala-me muitas vezes em lançar-se no voo da vida.
Aquele que a nós enquanto jovens nos foi permitido. Uns pelos pais, e outros, como foi no meu caso, pelos familiares que me criaram.
Mas eu ainda não estou preparada para este voo.
Esta é a verdade.
Fico desejando que esse dia chegue muito tarde.
Quero-o aqui bem perto de mim.
Não consigo conceber a ideia de um dia o ver sair pela porta para a sua própria casa.
Mesmo que saiba que essa é a essência da vida.
Fico aflita!
Fico sem ar!
O meu rosto muda!
A minha expressão altera!
E no final interiorizo mais uma vez…
“Rute, o David está vivo e vais sempre poder vê-lo quando a saudade apertar.”
Já o Pedro….
Não sabes quando o voltarás a reencontrar.
Eu sei!
Eu sei que tudo isto é o menor sofrimento que uma mãe pode ter.
Mas em verdade vos digo novamente que uma mãe que perde uma vez, vive em constante medo de perder novamente.
Queremos vê-los felizes, mas não suportamos a ideia de os ver distantes e ausentes do nosso acordar.
Quando o meu filho David me fala nos seus projetos de futuro, eu tenho na verdade, uma grande vontade de chorar.
Na minha mente tudo muda!
Na minha vida tudo se altera!
Na minha esperança tudo se transforma!
A minha história passa a ser uma realidade cruel, amargurada e difícil de gerir.
Uma mãe defilhada que tenha mais filhos sofre de fobia, de falta de ar, de apneia constante.
Uma mãe defilhada que não têm mais filho nenhum, não vive!
Sobrevive enquanto o seu coração bater e nos pulmões entrar o ar que a mantém dormente e a deambular.
Com carinho,
A mãe do meu filho tem asas.
-Rute Reis Figuinha –

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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