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Datas!

Datas!

O que são as datas, a não ser marcas no tempo que nos fazem recordar tempos que vivemos com quem prometemos amar por toda a eternidade.

Nossos filhos e filhas, esses anjos que ficaram para sempre adormecidos aqui na terra, e onde no céu vivem em constante energia.

As Datas tem um peso terrivelmente angustiante na memória dos que ficam.

Todos os dias mães e pais, recordam com saudades, choram de amargura, desistem de projectos envoltos numa dor que não tem cura. Uma dor que diz que quem passou por ela, parece suavizar com a passagem do tempo. Não sei! No fundo o que eu sinto é que a dor intensifica-se. Contudo o que pode mudar é a forma como a encaras com o passar do tempo. Sinto que apesar de dizer que nunca aceitarei a morte do meu filho, a verdade é que sem me dar conta vou aceitando muito devagar com o passar da vida por mim.

Hoje mesmo, no meio de tantas memórias que me trouxe o dia 10 de Abril na rede social do facebook, isolei-me por uma meia hora.

Chorei! Recordei com uma terrível saudade e amargura todos os sorrisos, e deslumbrei na minha memória tudo o que vivi na companhia do meu Pedro nessas alturas. Cada sorriso, cada fotografia, cada visão, cada paisagem, cada momento que com o tempo tenho medo de esquecer.

Penso que é esse um grande medo meu! Esquecer-me de pormenores que fizeram dos meus dias do passado, dias grandiosos envoltos de tanto amor.

Quem me observa de perto, por vezes aborda-me com um sorriso e dá-me a força necessária para me fortalecer novamente.

– “Então, estás aí? Que fazes tu aí no escuro?

– Estou aqui envolta nas memórias.

– Ai, ai! Anda lá daí. Vem para perto de nós.

Mas hoje não fui, não naquele momento. Fiquei chorando por um pouco, porque também preciso destes momentos, onde me liberto por instantes da dor que me agoniza, que me impede de viver em alegria.

Chorar para lavar a alma de tanta dor que abafamos no nosso dia-a-dia com um riso ou uma gargalhada.

Eu abafo muitas vezes a minha, mais do que alguma vez pensei conseguir abafar.

Quem se cruza comigo pela primeira vez na vida, não se apercebe de que por detrás desta força e energia, está na realidade uma das mulheres mais frágeis da humanidade.

Tenho imensas saudades do meu filho.

Todas as mães, que conheço virtualmente ou pessoalmente, sentem saudades dos seus amores. Todas tem os seus momentos baixos de força, onde a fraqueza se apodera da alma e lhes bloqueia todos os movimentos do corpo.

Não tenham vergonha de chorar, não tenham vergonha de gritar aos quatro cantos do mundo o nome do vosso filho ou filha. Não tenham medo de se sentirem frágeis. Sois como um cristal que rachou e jamais ficará novamente imaculado.

Ignorem as vozes que vos dizem para deixarem de falar no vosso filho! Quem o diz, não sabe nem de perto nem de longe o que é perder parte da nossa alma com essa terrível perda. Ignorem as vozes das pessoas que vos dizem que o vosso filho precisa descansar, e que não é bom estarmos sempre a falar dele.

É importante sim! Isso não tira o sossego a quem partiu! Lembrar é amar!

O que tira o sossego aos nossos mortos, é o deixarmos de viver, estando vivos.

Parece um exagero, não é?

Antes fosse! Mas a verdade é que só quem passa por esta perda consegue mesmo não ser crítico em relação à forma como uma mãe ou um pai vive o seu luto.

Já vos disse em outros textos, que o luto é mesmo muito particular. É vivido de forma singular, contudo envolto de uma dor e de um sofrimento universal.

O luto consegue unir pais e mães de todo o mundo, sem críticas e analogias. Faço parte de alguns grupos, onde vejo realidades idênticas à minha, contudo vividas de uma forma mais intensa. Talvez porque somos todos seres humanos diferentes, uns com mais fé, outros com menos. Outros onde a palavra de Deus tem um peso enorme, e outros onde a fé serve simplesmente para nos manter vivos.

Na morte, não se trata somente de um pedido, de fé, de devoção para com Deus e todos os restantes santos e anjos. Atrevo-me a dizer que raros são os pais que pelo menos uma vez na vida pede para não ficar sem os seus filhos. Pedem pela sua saúde, felicidade, prosperidade. Eu sempre pedi! Eu sempre agradeci! Eu sempre elogiei! E o que ganhei?

Não é mesmo uma questão de fé ou de bondade! É meramente uma questão de destino e sorte.

Tem somente o peso daquilo que estabeleces de acordo antes de nasceres, antes mesmo de conheceres a família que te vai acolher, criar e amar.

Respeitemos os mortos, que nos lembremos sempre deles com alegria, magia de cada momento que tivemos o privilégio de fazer parte. Que não deixemos ficar esquecidos no tempo nem nas mentes de quem um dia já fez parte de suas vidas. Lembrar é importante. Só lembrando e falando nesse ser maravilhoso que vimos nascer, saberemos o quanto maravilhoso foi fazer parte de sua vida, assim como eles da nossa.

Com uma angustiante saudade, onde o amor nunca morrerá por ti,

A mãe do meu filho tem asas.

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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1 Comment

  1. Keila diniz says:

    Obrigada pelo texto com tantas palavras que poderiam ser ditaa por mim que tambem tem um anjo no ceu 😇

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