Depressão

Como pensam certos pais acerca da depressão dos seus filhos!

O meu filho está doente!

Tenho um filho que não sabe o que sente nem diz saber o que quer.

Tenho um filho perdido, no meio de tantos filhos de outros, mas porque é que só o meu está em contramão!

Tenho inveja das familias que se dizem felizes em que os seus filhos se tornam homens e mulheres… Já o meu… Ai o meu…

Mas que porra de sentimento é este que lhe tira o brilho da alma e o faz querer morrer.

As minhas amigas falam a todo o instante dos seus filhos e eu…Eu fico calada, absorvendo o nada,  com vergonha de dizer somente que o meu sofre de depressão.

Estou aflita,  desesperada,  ou não será mesmo nada e eu perco tempo da minha vida procurando uma razão para a mimice dele.

Se calhar devia ter dado mais umas palmadas  quando era pequeno e ao invés disso eu ainda ralhava com o pai, porque me chamava à atenção de que eu o mimava demais.

Ai, ai, ai… Que faço eu?

Digam-me!!!

Mas que idiota que eu sou…

Como posso eu querer alguma coisa, se eu minto a todo o instante sobre o estado de saúde  verdadeiro em que o meu filho se encontra.

Que posso eu fazer?

Tenho vergonha de falar deste estado que toda a gente apelida de depressão.

Depressão???

Há! Isso não existe!

Ele quer é faltar à escola ou justificar a sua preguiça com uma doença inventada por um preguiçoso qualquer.

Queria tanto poder dizer a verdade de como o meu filho se diz sentir, mas não posso!

Tenho vergonha!

Passarei logo a ser conhecida como a mãe de um doido marrido, se é que não passo eu por louca.

Não tenho paciência para isto!

Mas que raio me haveria de calhar esta sorte?

Raio do puto que tinha de ser diferente de todos os outros.

Nem namora,

Nem estuda,

Nem casa,

Nem vai embora!

Que raio de mal fiz eu em outra vida?

Ou melhor.

Nesta!

Se esta sorte fosse com a minha amiga, estava eu bem… Mas porque raio teria de ser comigo?

O meu filho quer-me enlouquecer!

Só pode!

Depressão!

Mas o que é que é isto?

Como eu queria que o meu filho fosse igual aos filhos dos outros.

Mentalmente feliz e equilibrado.

Um rapaz normal!

Mas não.!

Tinha-me que ter batido à porta esta sorte!

Viver com vergonha de falar,  de levar o meu filho ao psicólogo sem ter nada a esconder!

Ao invés disso, digo somente para justificar as minhas ausências no trabalho e as dele na escola, que o levo no dentista.

Com tanto filho por aí,  tinha-me que calhar esta sorte a mim!

(Este texto foi inventado por mim, contento algumas partilhas, emoções e pensamentos de várias pessoas com quem tenho falado. No entanto pode muito bem ser a sua realidade.  E  deixe-me que lhe diga! Você está errada! O seu filho está doente e ambos precisam de ajuda! Enquanto esconderem o vosso problema, o vosso sentimento,  não encontrarão solução e podem muito bem chegar no final do caminho e a única coisa que vai poder ver, é o seu filho morto num caixão e você passará a amar as fotografias e os pertences que ele deixou. )

Pense nisso!

Se quer salvar o seu filho ou filha, não perca tempo e ouça-o! Peça ajuda!

Fale com ele. Tente compreender!

E não tenha vergonha de falar sobre o assunto! Essa pode ser a única diferença entre a vida e a morte dele.

Com preocupação e carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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