Luto Morte Pais Saudade

Ás vezes, é este o meu jeito de vos abraçar. – por Otília Mota

Mais um texto que uma senhora que conheço pelo facebook me dedicou bem como a outras tantas mães que sofrem caladas com imensa dor que as anestesia para a vida e para a morte.

Sinto e atrevo-me a dizer que todas morreremos sem nada sentir devido a termos esgotado todas as nossas energias em tentar aceitar algo que é inaceitável.

Obrigada Otília,

um enorme beijinho para si.

Um enorme abraço para todas as mães que como eu sofrem anestesiadas.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

 

«Ás vezes, é este o meu jeito de vos abraçar.

Viver entre o Céu e a Terra

Ser mãe/pai de Estrela é viver entre o Céu e a Terra. É viver de amor e dor.

Que ninguém magoe estes pais. Já foram magoados demais.
Que ninguém julgue uma dor que não conhece. Que ninguém diga que cada um tem o que merece. Nenhuma mãe/pai a merece.
Que ninguém lhes diga que vai passar, porque não vai. Não é verdade quando dizem que toda a dor passa. Há dores que são para sempre. Eu apenas digo que consigam superar e suportar.
Que ninguém lhes diga que é hora de seguir em frente. Que a vida continua. Luto por um filho não tem prazo. As pessoas não sabem do que falam. Que forma mais mais crua de falar de uma dor que não é sua.
Que ninguém lhes diga para esquecer. Mas alguém quer esquecer um filho que partiu? Só porque vive no Céu, não deixou de ser filho seu.
Que ninguém os julgue quando estão a sorrir. Não fazem ideia do tamanho da dor que estão a encobrir.
Que ninguém os julgue porque se divertem num momento. Não sabem que quase sentem culpa, porque em momento algum o filho lhes sai do pensamento.
Que ninguém os faça sentirem-se culpados. Aconteceu porque teve de acontecer e cada mãe/ pai fez o melhor que soube fazer. Já basta viverem amputados.
Que ninguém lhes diga que sabe o que estão a sofrer, porque não podem saber. Só eles sabem desta dor. É no mundo a dor maior.
Que ninguém julgue as lágrimas que não vê choradas. Não sabem a conta das lágrimas, no silêncio da noite, derramadas.
Que ninguém julgue a sua debilidade. A dor da saudade magoa de verdade.
Que ninguém julgue a sua falta de vontade. O mundo para eles ficou vazio e frio.
Que ninguém os julgue quando estão perdidos, sem rumo, sem norte. Se ninguém é sempre forte, como há de mãe / pai de Estrela ser!!!
Que ninguém lhes diga como viver. Ninguém, melhor do que eles, sabe o que é viver ao ” faz de conta”. Faz de conta que está tudo bem e, por dentro, estão a sofrer.
Que ninguém lhes diga para não chorarem. Que o seu filho fica triste e não tem paz. É desumano. Mas alguma mãe/pai seria capaz ? Chorem o que tiverem a chorar. A luz da vossa Estrela nunca se irá apagar. Eu chamo às vossas lágrimas beijos molhados. E no Céu os anjos sentem que estão a ser recordados.
Que ninguém lhes diga para terem força e coragem. Força e coragem é o que estes pais têm mais.
Que ninguém lhes diga o que fazer. Porque só eles sabem como continuar o caminho.
Que ninguém lhes falte com o carinho. Que nenhuma mãe /pai de Estrela caminhe sozinho.

Se queres ajudar, escuta, abraça, acarinha, compreende e sente compaixão. Estende-lhes a mão e caminha lado a lado.
A todos os pais/ avós de Estrela, o meu abraço apertadinho.
Otilia Mota»

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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