Depressão Sociedade

A voz da alma!

Eu vou escrever esta mensagem com identidade falsa. É a primeira vez que digo isto a alguém, e já lá vão 14 anos. Com 17 anos tentei suicidar-me, hoje tenho 31, formei-me na universidade, fiz o percurso dito normal, trabalho, sou independente, no entanto sinto a mesma apatia pela vida que sempre senti. Não tenho alegria interior, vivo como se estivesse numa fila de espera. É muito triste não sentir fervor, alegria, vontade de viver como as pessoas que nos rodeiam sentem. Quem me “conhece” dirá imediatamente que sou uma pessoa muito simpática, alegre e com sentido de humor, com quem gostam de estar porque me dizem os faço sentirem-se bem quando estão comigo. A minha mãe sempre conheceu esta falta de ânimo em mim, a únicapessoana verdade. Em bebé eu já mostrava ser uma pessoa com um mundo próprio, meu. A minha mãe foi a única pessoa que soube o que se passou pois foi ela que me encontrou naquele dia. Ficou muito assustada naturalmente e eu nunca mais o voltei a fazer por ela apenas. A ideia do suicídio vive dentro da minha cabeça constantemente, e não há nada que mude isto por muito que me esforce. Sou uma pessoa dedicada, que é boa naquilo que faz, seja a nível profissional seja a nível pessoal, relaciono-me com qualquer pessoa, já vivi no estrangeiro em casas partilhadas com outros jovens, não tenho problemas em socializar nem em expressar-me. No entanto, sempre tive este lado extremamente negro dentro de mim, que não desaparece e que não me deixa sentir alegria. Sei que estou neste plano, não sei bem porquê nem para quê, porque não sinto que este seja o meu lugar, a minha casa, por mais que eu ame a minha família que hoje é apenas a minha mãe. É algo que não se explica e que tem um peso muito grande dentro de nós, e vive pesando durante anos e anos e anos, e não vai embora. Não havendo nenhuma explicação para o que sentimos, para o que nos sai verdadeiramente de dentro de nós e que faz parte da nossa identidade, quero só deixar um grande beijinho para si, que mãe é mãe sempre, e será uma dor de todos os dias infelizmente. Tenho a certeza absoluta que o Pedro vos amava mais do que tudo nesta vida, é algo que não se explica e tem um peso muito grande. Não quero nunca parecer egoísta nem com sentimento de ingratidão com estas minhas palavras, quis apenas e pela primeira vez dizer o que se passou comigo e o que sinto, mas acima de tudo querer dar um beijinho de força ao coração de uma mãe que sofre e que não tem culpa. Na verdade, não há culpa nem na família, nem na pessoa que escolhe partir, há uma força muito grande com a qual é extremamente difícil lutar diariamente. É muito triste, ninguém merece viver com esta força que nos puxa diariamente, nem os que partem nem os que cá ficam a sofrer com a ausência dos que partiram. Com isto quero só deixar um grande beijinho para a família.

Perdão pelo partilhar da sua mensagem, mas sinto que de alguma forma irá ajudar a quem tem tanto medo de falar, porém não têm medo de morrer.
De alguma forma poderá dar um alerta a muitos pais em casa.
Quero que saiba, que estou aqui para a ouvir sempre.
A qualquer hora.
Não tenha medo de falar comigo, porque eu entendo o seu sofrimento.
O meu filho permitiu-me isso.
Gostaria de lhe dizer tanto, mas o tanto… foi você quem mo partilhou nesta longa mensagem deixada na minha pagina,
Www.omeufilhotemasas.pt

Gratidão por ter a coragem de o fazer, mesmo sendo de forma anónima.
Enorme beijo no seu coração
💙

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

You may also like...

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *