Amor Luto Saudade

A vida de pais desfilhados

Foto de Rute Reis Figuinha

A vida de pais desfilhados é cruel demais. Somos obrigados a continuar sem os nossos filhos que vão ficando pelo caminho. Obrigados a mergulhar no baú das memorias dos nossos amores, que nos foram roubados pela morte e imortalizados pela vida e pelo nossa dor.

Quando vejo uma mãe a sofrer, na maior parte das vezes nem sei o que lhe dizer ou escrever, afinal eu própria vivo esta tormenta e apesar das mensagens que me chegam, em nada minimizam a minha dor. Nesta caminhada somos todos iguais.

Morre-nos um filho e morrem com ele os sonhos e a esperança da nossa continuidade através dele. Um filho devia simbolizar vida e alegria e nestes casos, em particular transforma-se em morte e agonia. Somos arrebatados para o fundo de um poço sem final, onde os nossos filhos são esquecidos pela humanidade, mas não por nós pais.

No outro dia, quando fui ao médico de família, questionei acerca da ficha do meu filho, como havia sabido o doutor, que o meu filho tinha morrido. Onde me respondeu que havia sido a minha cunhada, Madrinha do Pedro, que lhe havia dado a triste noticia. Mas logo terminou dizendo.

“Rute assim que alguém falece, desaparece por completo do nosso sistema de saúde.” E mostrou-me essa triste constatação.

O outro episódio com que me deparei foi, quando fui validar os livros dos meus filhos no ministério de educação, me dei conta que o meu filho não aparecia mais na grelha e confesso que recebi mais um choque daqueles. Ou então posso-vos falar da mesma ocorrência no site da Segurança Social.

É horrível dares-te conta nestes pequenos detalhes que os nosso filhos desapareceram para a sociedade. E é por isso, que resolvi criar as páginas do “meu filho tem asas” no Facebook, no Instagram e aqui.

Não quero que o meu filho seja esquecido por ninguém, assim como jamais será esquecido pela sua família. Não há nada que desfaça o que ele fez, mas enquanto eu viver, ele viverá comigo.

Amo-te e amar-te-ei eternamente minha Rocha.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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3 Comments

  1. Jamais serás esquecido querido Pedro! 😥😘 Bj no ❤ meu querido!😥 Descansa em PAZ 🙏😔

  2. Olá Rute quero lhe dar os parabéns por ter a coragem de falar sobre o luto este é um tema tabu que ainda não se fala muito. Esta a fazer um bonito tributo ao seu menino

    Agarre-se aos bons momentos que viveram juntos esses ninguém vos tira, não é por não o ter aqui que deixou de o amar se lhe acontecer o mesmo que a mim acho que crescer exponencialmente esse amor.

    Estudo sobre o tema já há alguns anos e posso lhe aconselhar alguns livros, o que me abanou por completo foi o regresso a Deus de Neale Donald Wash, fez me pensar muito sobre o assunto de forma como eu nunca tinha feito, há um site brasileiro que está uma delicia, chama-se Vamos falar sobre o luto: http://vamosfalarsobreoluto.com.br/

    Tem muita informação e foi uma inspiração para mim, espero que a ajude também

    Espero que faça o seu luto com muita paz, serenidade

    Bj de luz

    Sónia Alves

  3. Rute Reis Figuinha says:

    Obrigada D. Sónia, procurei pelo livro que me indica mas encontra-se esgotado em todas as livrarias online 😑.
    Obrigada pelo seu carinho.
    Lamento a sua perda. 💙 beijinho

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