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A morte no fim, acabou sendo nossa amiga!

A morte no fim, acabou sendo nossa amiga!

Sei que para muitos de vós esta frase vos chocará, mas é realmente o que penso, tendo em conta que eu sei o que o meu filho era em vida e os danos que sofrera naquele salto.

Ele ficou cego!

Ele ficou tetraplégico!

Se tivesse sobrevivido naquele salto, acabaria por morrer mais dia, menos dia, com todas as privações a que iria ser sujeito.

Por isso sim!

A morte no fim acabou sendo nossa amiga, dele e nossa.

Deus foi misericordioso connosco mesmo perante todo este sofrimento.

Entendem agora porque não me encontro zangada com Deus ou contra ele?

Porque teve misericórdia do meu filho. E quando tratam bem dos nossos filhos, mesmo que seja de uma forma muito adversa e abstracta, nós agradecemos.

Sinto a falta dele a todo o instante, de ouvir a sua voz, de falar com ele tudo o que se passou no nosso dia, ou quase tudo. Sinto a falta do seu abraço, do seu maravilhoso sorriso e acreditem que dou por mim muitas vezes a olhar nas nossas fotografias e observando as nossas semelhanças.

Ainda no outro dia quando começou a tocar umas músicas, eu não me consegui controlar e tive de sair do espaço para ir chorar. As saudades romperam-me a alma de tanta saudade que tive dele naquele preciso momento, porque ele dançava comigo. Uma querida amiga do Pedro que se apercebeu, veio atrás de mim sem eu me aperceber e ficou a falar comigo, partilhas que ele lhe fazia e que eu só fiquei a saber nas mensagens que ele partilhava. Fiquei feliz, porque conforme eu ia falando a Ana ia confirmando e acrescentando palavras à nossa conversa. Ela abraçou-me, beijou-me, e ficou ali junto a mim o tempo que eu precisei.

Tem momentos que quando dou um beijo numa criança e se ainda por cima esse menino se chama de Pedro, eu transformo todo aquele momento em amor, como se do meu filho se tratasse, e relembro. Mas só isso não me chega. Sinto falta! Tanta falta do meu Pedro.

Por isso sim! Este texto hoje é para mim, e para si que passa pelo mesmo do que eu.

Uma mãe defilhada, pode ser qualquer mulher que se cruza consigo na rua.

Uma mulher que se revolta contra Deus, ou contra o Homem.

Uma mulher que fica com um olhar vidrado e distante, ou triste e alegre porque se lembrou de uma memória que parece distante.

Uma mãe defilhada, pode ser aquela que cuida dos vossos filhos, no entanto não lhe é possível cuidar do seu.

Ela pode ser a que chora sem ninguém ver, ela pode correr, saltar, brincar, sorrir, dar o melhor que tem de si aos outros e no entanto precisa de muita força para colar todos os fragmentos que intactos formaram um dia o seu coração.

Ela pode ser a mulher mais rica do planeta e no entanto se sentir a mais pobre de todo o universo.

Uma mãe defilhada pode gritar ao mundo a sua dor e ao mesmo tempo esconde-la aos olhos de todos.

Mas atenção!

Não é somente a mulher que pensa ou age assim, o Homem também o faz.

Só não nos damos conta com a mesma exactidão, porque o homem costuma ser mais reservado, mas ele sente e vive igualmente a perda de um filho.

Por isso quando olharem no rosto de alguém, respeitem-nos porque não sabem o que aquela pessoa já viveu e o que ainda a mantém de pé e olhar em frente.

Com respeito e uma enorme gratidão,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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1 Comment

  1. Angelita says:

    Ola…Faz dois dias que leio seus textos e sinto sua dor.Nao nos conhecemos, mas fiz muitas amizades virtuais no meu processo de luto.Mas minha dor esta na outra extremidade da sua,melhor, esta na metade, mas ambas sao movidas pelo nosso amor de mae.Tbm sou mae de 3.Uma , a Rafa nesse plano, com 12 anos, e 2 no plano celestial.Perdi dois filhos….Um com 11 semanas, e uma recente, em 15/05/2019- com 23 semanas Heloisa voou horas apos um parto prematuro sem explicação por descolamento total de placenta. Digo que estamos na extremidade da metade pq a vida deles havia comecado, e acabou rapido demais…..E a do Pedro nem estava na metade ne…Mas fiquei com vc em pensamento, e hj mesmo comentei com meu esposo, como a depressao é perigosa e silenciosa.Tive depressao grave apos a perda de meus filhos.Faz pouco tempo que nao tomo mais meus remedios..Mas a minha dor como a sua , nao regrediu nenhum milimetro.Queria pode ajudar vc.Acho que não posso, mas estarei orando por voce, quando eu tiver forças pra orar.Sinta -se abraçada. E nao sei pq tive uma empatia quando vi a sua foto e sua historia.Eu sigo vc no instagram. Tbm tenho um perfil onde desabafo pelos textos, talvez por isso, nossa conexão.Hj tento dar voz ao luto materno nada reconhecido pela sociedade.Ao mesmo tempo que vc tbm tenta dar voz ao luto da depressao que muitas vezes tem desfechos crueis.Se quiser conversar, pode me chamar. Meu perfil esta como historias em letras (angelita_vaz_3).Um grande abraço caloroso no seu coraçao!

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