Luto Morte Pedro Saudade

A morte deixa-nos impotentes!

Chega a noite e com ela o sofrimento do teu irmão Kiko.

Vem procurar-me já perto da uma da manhã, para me dizer que não consegue dormir cheio de saudades que tem tuas, por se lembrar do que tu eras para ele.

E o sentimento de total impotência dilacera-me novamente o coração.

Abraço-o com força e ficamos os dois a chorar. Não é fácil!

Quase impossível se queres realmente saber. Acalmar o seu pequeno coração. Dizer a um menino de oito anos que a morte é isto.

Que não é o que ele está habituado a ver em desenhos animados ou em jogos de computador.

É ter de lhe explicar que quando alguém morre na realidade, deixa de ser possível abraçar, brincar ou de ouvir as suas histórias.

É virar-me para o teu irmão e ter de lhe dizer que só permaneces vivo no seu coração e em sua memória.

É pedir-lhe que ele nunca se esqueça de ti nem das tuas brincadeiras, ou das vezes que o pegaste ao colo, ou o levaste ás cavalitas quando estava cansado de andar.

Não pensaste em nada disto quando te mataste.

É enxugar-lhe suas lágrimas enquanto os seus olhos se enchem ao mesmo tempo com novas, e onde lhe digo, que desejava ter o poder de ele nunca ter de passar por tal acontecimento de perda, dor, sofrimento que lhe causaste com a tua morte.

Imposto somente pela tua vontade!

É protegê-lo da triste e dura realidade que não tiveste força para continuares aqui com ele e connosco.

É esconder-lhe a verdade sobre a tua verdadeira história! Uma criança de oito anos não concebe o conceito de acabar com a sua própria vida.

Não consegue ter percepção de que isso é possível!

IMPOTENTE! É o que eu sou!

IMPOTÊNCIA! É o que eu sinto!

A morte deixa-nos impotentes!

Amo-te, mas não aceito a tua decisão!

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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