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A minha visão modificou-se

Se os nossos sonhos são o norte e não os realizas, temos que ir para sul!
Mudar, fugir das rotinas. Esta é uma das bases para viver neste mundo que todos nós o transformamos segundo nossas ambições.
Muitas vezes os sonhos não se realizarão, mas muitas outras sim, e, em ambos os casos, acontece perdermos o rumo. Não desesperes!
É importante recordar que esses sonhos são o norte  da tua vida, mas que, se chegarmos a não realizá-los, talvez tenhamos de mudar de direcção e ir para sul!
Deste modo temos de aceitar que também nos modificamos com o êxito e o fracasso de todos os nossos sonhos, desejos e ambições.
Sonhemos, desejemos e mergulhemos em todas as direcções e sentidos que forem necessários para alcançarmos a paz e a Felicidade que cada um busca todos os dias!

Não te preocupes se a luz só se acende de noite para que possas caminhar livremente por entre as pessoas e os animais que passam por ti de noite, ou para que possas contornar um obstáculo que surge na tua frente.
Não coloques um ponto final em tudo o que torna a tua vida mais difícil.
O ponto parágrafo e as reticências incentivam a busca de soluções e a tua inteligência.
Não queiras saber tudo, não é necessário nem urgente.
O pressupor, o imaginar, fazem parte da magia do teu mundo, da magia do universo, da magia do teu ser que habita em ti e que te tornam na pessoa que tu és, que nós somos, com todas as nossas falhas, ambições, desgostos, vitórias.
Muitas vezes, o nosso interior pode intuir os porquês das pessoas que amamos. Saber mais, quebra o encanto da magia, da incerteza, quebra a magia de se poder viver livremente.
Acredito que o melhor desta vida é imaginar o que talvez não seja totalmente certo, é imaginar o que poderá vir a ser, o que poderia ter sido.
Essa irrealidade que nunca aconteceu, mas que se completa no nosso interior, provavelmente nunca foi nossa ou nos estava destinada.
Todos os dias, existem muitas histórias que se cruzam, no testemunho de cada ser, no sentimento de cada humano, e quantas dessas histórias não se ficam somente por umas reticências ou um ponto parágrafo.
Em vez de sofrermos com elas, devemos alegrar-mo-nos porque podes completa-las dentro de ti, de mim, de nós, da forma como desejarmos.
Não procuremos o ponto final.
Procuremos a Felicidade,
Procuremos a luz que se acende em cada candeeiro que encontras no caminho que escolhes percorrer na tua vida.
Foi e está sendo horrível a perda do meu filho Pedro, mas o facto de ler bastante sobre o tema suicídio e sobre a vida após a morte, faz-me acreditar que a vida não acaba aqui. Que a vida para o Pedro não acabou naquele salto. Ele continua presente em tudo o que eu faço, leio, vivo, partilho. Ele continua vivo enquanto eu o lembrar, chorar e rir de suas aventuras e traquinices.

Tomei uma postura diferente face à morte dele física. Falo com ele todos os dias e verbalizo silenciosamente as suas respostas, de como ele gostaria. Consigo inclusive brincar com ele em pensamento e sorrio-lhe mesmo que não o veja na minha frente.

Não é de loucura que falo, é de esperança, de amor. Sinto-o perto de mim e isso deixa-me mais tranquila. Acabei de ler ontem o livro que uma mãe de uma antiga colega do Pedro me recomendou, “A Prova” de Stéphane Allix e pude mais uma vez comprovar que eles, os que nós amamos e deixámos de ver fisicamente, na verdade nunca nos deixam. E é possível sim, comunicar com os mesmos e sentir a vibração de amor que eles nos enviam. Só precisamos de abrandar a nossa dor para que a frequência com que eles chegam até nós seja plena. Caso contrário não consegue comunicar connosco. Perguntam agora vocês…Mas o teu filho morreu fez quatro meses, como consegues?

Abrindo a minha mente e o meu coração. Deixando cair a armadura que não permite que eu canalize essa energia. Amando com todas as minhas forças o meu filho Pedro, da mesma forma e intensidade que o faço com o David e o Francisco. O meu amor só poderá ser pleno, se eu me permitir abrandar a minha dor e amargura. Deste modo não se admirem se me virem com um brilho diferente no olhar ou de me verem sorrir mais abertamente porque é sinal de que eu senti o meu Pedro nesse dia.

Neste livro, foram apresentadas as mesmas conclusões que podemos constatar no livro da Elisa Medhus “O meu filho está no céu”. De uma forma menos abrangente este filho Stéphane Allix procura provas da existência do seu pai após a partida com a sua morte. Colocou no caixão do pai, quatro objectos e começa a sua pesquisa através de encontros com seis médiuns diferentes. É maravilhosa a sua partilha neste livro e tal como a Dra Elisa, ele também consegue comunicar com o seu pai.

A morte de um filho é como ter uma ferida aberta no nosso peito e da mesma nunca fechar. Pode até criar uma pequena e ténue membrana, mas corre o risco de abrir novamente. Os sentimentos, as emoções as lembranças estão todas lá. Mas temos que tentar olhar com outra perspectiva.

Mudei o meu discurso não é? Sim, porque mudei a minha visão sobre a morte do Pedro.

Ouvir os comentários absurdos das pessoas envoltas na nossa sociedade acerca do que o meu filho era ou fazia, deixou-me insegura confesso. Estaria eu assim tão enganada face a um filho que tenho? Sei e tenho presente que os nossos filhos nos mentem e omitem aquilo que acham necessário no percurso da vida deles. Eu também menti, todos nós mentimos. Não vamos entrar na hipocrisia e dizer que nunca o fizemos. Muitas são as vontades que encasquetámos na cabeça e só descansámos quando a alcançamos. Deste modo os nossos filhos não são diferentes de nós. A única coisa que eles têm mais à mão, é mesmo o acesso à informação e ao desenvolvimento da sociedade em que vivemos.

Sim! A Autópsia do meu filho mudou sem dúvida a minha visão. Não retira em nada o ato de desespero ou loucura. Atrevo-me até a dizer mesmo de Coragem. Mas sinceramente preferia que ele não tivesse tido nenhuma.

Quando penso que devia ter dado ouvidos à voz que entoava nos meus ouvidos…É de facto o único arrependimento que tenho. A 20 minutos daquele maldito salto, duas vezes a voz entoou dentro de mim.

“Agarra no carro e vai ter com o teu filho para comprar o passe”.

Hoje com tudo o que tenho lido, constato mesmo que o meu guia comunica comigo e que me alerta para situações de risco que estão para acontecer. Tenho encontrado em tudo a mesma explicação. Por experiência, tenho vivido acontecimentos com gravidade que anteriormente fui alertada de que poderiam acontecer, mas não dei valor. A mania que temos de pensar ser somente o nosso inconsciente a falar connosco e teimamos a dizer: Há, vai correr tudo bem! A verdade é que depois somos arrancados para um medo que sempre esteve presente ou que nos assaltou a mente em determinado momento de nossas vidas. E surge o “E se…”

Pertencemos todos à mesma fonte. Uma fonte repleta de uma energia extraordinariamente maravilhosa. Todos nós sofremos de uma amnésia espiritual para podermos viver no plano terrestre e assim melhorar as nossas características como seres de luz que somos. Por isso existem almas que nos tocam de maneira diferente quando nos cruzamos com elas. Pessoas que inexplicavelmente nos sentimos muito bem na sua companhia.

Todos nós assumimos um contrato com essa fonte e aceitamos o que nos vai acontecer aqui no plano terrestre. Aceitamos o sofrimento, as perdas, a fome, a morte. Contudo também nos cabe a nós procurar por soluções que nos levem a estar bem no dia-a-dia.

Não! Não quero dizer com isto que aceito a morte do meu filho, mas…olho para ela de outro modo. Não sei se teria evitado de alguma forma a morte do meu filho, talvez até me tivesse dito que iria ter comigo naquele dia 24 de Maio e mais tarde, ou em outro dia tomasse na mesma a decisão que tomou.

A morte do meu filho veio despertar-me para outras realidades.

É certo e concreto que posso amanhã mesmo cair em rotura novamente. Mas é mesmo assim que o luto funciona. Buscamos entendimento, conforto, segurança nas palavras, contudo basta um momento, uma lembrança e tudo pode novamente desabar.

Existem pessoas que conseguem lidar com o luto em muito pouco tempo e existem outras que o congelam no tempo e anos mais tarde vivem-no como se o filho ou familiar tivesse morrido naquele momento exacto.

Eu mesma, se me tivessem vindo com este texto nos primeiros dias após a partida do meu filho teria batido em alguém confesso. Por isso sim! É muito importante respeitarmos o tempo de cada um face à morte. Não se esqueçam que todos vivem com a perda e essa é muito dolorosa para todos.

No fundo o que vos quero dizer é que é importante darem esse tempo a vós mesmos. Se querem chorar, chorem. Se querem rir, riam. Se querem ir atrás de um projecto, lutem. Se querem falar com o vosso filho ou filha que partiu, falem. Recordem-nos com o vosso amor e carinho que sempre tiveram por eles em vida. Mas em hipótese alguma se permitam desistir.

Com carinho e esperança,

A mãe do meu filho tem asas.

Foto de Rute Reis Figuinha

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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1 Comment

  1. Sandra Duarte says:

    Rute … mãe o filho tem asas! Para mim o o que aconteceu é só e apenas o fpassado! Sente em silêncio o meu abraço de coração … E o limpar das tuas lágrimas… sou mãe e não consigo imaginar o que podes estar a passar/sentir…. para ti e família… continuo na praceta do lado! Beijinhos de coração a todos vocês ❤️ Sandra Duarte

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