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Relembro com cuidado todos os teus detalhes

A minha vida aqui sem ti, não é mais a mesma.

Relembro com cuidado todos os detalhes e momentos passados na tua companhia.

Relembro as tuas características físicas que mais se assemelhavam às minhas. Eras o meu único filho que tinha a curva perfeita nos pés como as minhas.

O teu cabelo, era idêntico ao meu, uma característica que herdei do meu pai e por sequência, tu herdaste do teu avô.

A cor da tua pele, essa, foste buscar a várias pessoas de nossa família. Ao teu pai, avó paterna e avôs.

Dizia-te muitas vezes que te achava muito parecido a nível de todo o corpo ao teu tio Ricardo.

Eras alto como o pai, mas tinhas o rabo empinado e com diversos traços de quando o teu tio tinha os seus 18 anos.

Recordo-me de olhar muitas vezes para os teus pés e ver os pés do teu tio, e partilhava-o contigo.

Orgulhava-me muito disso. Eras sem sombra de dúvidas, o sobrinho mais parecido com ele, ou o neto mais parecido com o meu pai.

Já o teu cabelo ou a forma como ele crescia, após um bom corte era exactamente igual ao do meu pai, teu avô António.

Um cabelo grosso e escuro, Um cabelo de excelente qualidade.

Tinhas um sinal exactamente igual ao meu, do mesmo lado no nosso corpo, o teu era só um pouco mais acima do que o meu.

As tuas mãos eram muito parecidas com as do teu pai. só lamentava o facto de roeres as unhas, um habito que herdaste de mim.

Tudo fiz para que o perdesses, mas nunca o consegui. No fim já te dizia que tinha de ser da tua força de vontade como imperou um dia a minha.

Lembro-me que quando conseguias durante um certo tempo não roê-las, vinhas todo contente mostrar-me a tua conquista.

Eras anti-pelos! Não querias pêlos no teu corpo.

Rimo-nos imenso da primeira vez em que o disseste. Era impossível não teres pêlos, nisso tinhas os genes do teu pai.

Ainda me recordo a primeira vez em que me pediste ajuda para eliminá-los.

Respondi-te: O quê? Estás a falar a sério?

“Sim mãe, não gosto de pêlos e no futebol não dá mesmo jeito tê-los. Quando me fazem as massagens magoa-me muito”.

Ri-me de imediato, mas compreendi e arranjei-te o creme veet para te ajudar a removê-los.

A primeira vez, fui eu quem te fez a tua depilação. Lembras?

Era assim filhote, a nossa relação de filho e mãe.

Se tinhas algo no teu corpo que desconhecias, não tinhas problemas em mostrar-mo.

Sempre fomos pais abertos aos diálogos da descoberta da evolução do teu corpo. As mudanças que irias encontrar.

Sempre falámos abertamente sobre todas elas.

Falámos-te sobre a vida, sobre sexo, sobre as doenças, sobre o álcool, sobre as drogas, sobre o tabaco, sobre o corpo, sobre os riscos e sobre muitas outras coisas, como por exemplo, os sentimentos.

A única coisa que não te falámos, foi mesmo sobre a morte.

A morte falhou!

E tu falhaste-nos, porque escolheste-a em vez de nos escolheres a nós.

Amo-te Pedrocas e morro de saudades tuas.

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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