Depressão Esperança Pais Tristeza

A minha filha ou o meu filho tem depressão e eu tenho vergonha de falar sobre o problema.

A minha filha ou o meu filho tem depressão e eu tenho vergonha de falar sobre o problema.

Este é um problema com o qual somos confrontados muitas das vezes, para o qual não temos forças para debater.

Mas não é por nos faltar a força de verdade! É sim pelo tabu e pelo peso que ela é, e tem na sociedade.

Muitas famílias sofrem caladas, dentro de suas casas, sem meios, muitas das vezes para conseguirem ajudar os seus familiares.

E isto acontece nos casos em que os jovens e as pessoas que sofrem de depressão ainda têm um pouco de força para pedir ajuda.

Já os que não tem força, acabam por desistir de tudo como fez o meu filho.

O que vocês não se apercebem, é que ele nem sequer nos pediu ajuda! E mesmo assim ainda a procurámos para lhe dar, porque encontrava nele uma tristeza muito singular.

Mas a triste realidade é que o meu morreu, mas os vossos não, graças a eles, graças a vós, graças a uma força maior que nos move a todos e não tem que ser apelidada de Deus como muitos de vós não acreditam.

Mas há que mudar as mentalidades! Vocês ainda não acreditam pois não? Que é falando do problema da depressão, sem vergonhas que podemos realmente salvar vidas!

Pensem comigo!

Ninguém está livre deste fenómeno! Uma doença que todos os dias surge nas vidas das pessoas, no seio de famílias que teoricamente tem tudo!

Quantos de nós não se indagou já disso? Quantos de nós, já não questionou, como pode ser possível um jovem ou um adulto que tem estabilidade financeira, uma carreira, uma família, uma namorada, um passatempo, amigos e que até se relaciona no dia-a-dia com as pessoas e no fim é uma pessoa incompleta. Ou melhor! Permitam-me corrigir. Sente-se incompleta!

Não encontra respostas para o que sente, e vive infeliz por isso mesmo. Acreditem que estas pessoas sabem o que têm na vida e o que não têm, mesmo que não encontrem respostas lógicas para o seu sentimento de derrota.

É importante olhar para o próximo sim! É urgente estender uma mão! É urgente não pensar que somente nós vivemos um problema ou nos debatemos com situações de dor e perda.

As pessoas que vivem na depressão, vivem mergulhadas numa dor, que nem mesmo elas encontram respostas para tal.

Por isso é que é urgente deixarmos os tabus de parte e falar sobre uma doença que ganha a cada dia uma proporção tão acentuada, onde os profissionais acreditam que será sem dúvida nenhuma a doença do século!

1 Em cada 4 portugueses vivem com doenças mentais! Não sou eu quem o diz, são sim os profissionais que todos os dias lidam com estas realidades. Eu somente escrevo para tentar que não passem pelo mesmo que eu ou a minha família, que viu partir um jovem que tudo tinha para viver e seguir os seus sonhos.

Mas a doença ganhou!

Falar é importante! Tu podes não ter os meios necessários, mas quem te escuta pode te aconselhar, ou até mesmo ajudar.

Não é escondendo que vai melhorar a tua situação, ou a do teu filho ou filha.

Mas infelizmente o ser humano tem medo de sofrer e por isso foge muitas das vezes de perto das pessoas que tem estes problemas. Ou porque já viram de perto a realidade que esta doença provoca em quem amamos, ou porque simplesmente não querem ter que “aturar” as maleitas dos outros. Simplesmente recusam-se a passar por todo aquele processo de aniquilação.

Eu vejo este problema com uma perspectiva diferente!

Entendo que posso fazer mais por alguém que de mim precise! Posso estar lá se assim a pessoa o permitir, e quem sabe não será o suficiente para quem sofre, se aperceber que alguém se preocupa com ela e de que não é invisível.

Como sabem, porque tenho vindo a partilhar, tenho lido e pesquisado por imensos livros que me ajudem a perceber esta doença. Inicialmente fazia-o para entender o que levou o meu filho a um acto tão cruel com ele e com todos os que o amavam, mas agora serve mesmo para me despertar para a realidade que todos os dias enfrento no olhar de certas pessoas ou nas mensagens que me dirigem.

Se eu posso fazer diferença na vida de alguém, eu não irei desistir.

Os livros mais importantes sobre a depressão, encontram-se todos praticamente esgotados! Sabiam?

Não vos deixa a pensar? Entendem o paradoxo da questão?

A quantidade de pessoas que sofre com esta realidade, compram os livros e não falam? Não discutem! Não pedem ajuda? Não se deixam ser ajudados! Mas os livros esgotam nas livrarias, nas editoras, nos depósitos.

Então porque não falar desta realidade, como se fala do sexo, das drogas, do cancro, da sida, da hepatite, meningite, e outras doenças que surgem na vida das pessoas?

Porquê “tapar o sol com a peneira” se o sol está lá e nos envolve a todos no nosso dia-a-dia?

Entendem onde eu pretendo chegar?

Porque não? Os mídias elaborarem por exemplo um spot publicitário onde anunciam a depressão como um tema Nacional e Mundial e ao invés de usarem actores e actrizes, agarrarem em pessoas que vivem essas realidades? Ou pais e mães, irmãos que queiram contribuir com uma mensagem de alerta a tantos outros que vivem mergulhados no isolamento forçado pelo maldito tabu. Já imaginaram no impacto de positivo que pode ter na nossa sociedade e nas pessoas que precisam?

Por mais que as Juntas de freguesia, escolas, hospitais elaborem debates sobre o tema, não é o suficiente. Sabem porquê? Porque não chega a todos, porque por vezes as pessoas que mais precisam não aparecem, ou por vergonha, ou porque não sabem. Os jovens banalizam, os temas apresentados na escola, até ao momento que acontece com um amigo ou um familiar. Aí consciencializam-se de que não são imunes. Questionam-se com foi possível acontecer tal situação com um amigo que estava sempre na brincadeira e sempre disponível ajudar.

A mente é complexa demais. E nem sempre o sorriso e uma gargalhada são sinónimo de alegria e boa disposição.

Pensem nisso! Façam ou ajudem a fazer a diferença na vida de alguém. Não pensem que só vocês precisam de ser ajudados. O ser humano quando quer tem uma enorme capacidade de ajudar. Unimo-nos por tanta coisa, então porque não nos unirmos a quem de nós verdadeiramente precisar.

Eu podia escolher ficar calada, e pensar somente em dedicar a minha pesquisa em me preocupar com os meus, mas não seria eu. O verdadeiro eu, tem empatia, e quem me conhece sabe que sim.

Falar da morte é importante!

Falar do suicídio é urgente!

Falar da Depressão é imperativo!

Sabem porque se utiliza imenso o ditado “depois de casa roubada, trancas na porta”?

Pensem nisso!

A minha foi arrombada, roubada e praticamente deitada a baixo com a perda do nosso filho e irmão.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas.

 

 

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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