Luto Sociedade Tristeza

A forma como vivemos!

Uma mãe defilhada vive sempre de forma intensa.
Intensa porque se fica quase sem nada quando não temos mais um dos filhos que juramos amar com a força do nosso amor.
Uma mãe defilhada que perde o seu único filho vive em constante agonia face ao tempo que não passa.
Face ao tempo que parece passar rapido demais.
É um misto de emoções.
Na verdade o tempo pára e continua ao mesmo tempo.
Porque se por um lado é uma agonia não o termos mais connosco, por outro lado é um tormento todo o tempo que já passou.
É difícil viver este papel.
É agonizante padecer de uma saudade que não têm fim à vista. Mesmo no dia da nossa morte teremos saudade.
Ficamos sempre na esperança do reencontro.
Mesmo que nos digam muitas vezes que isso não será possivel.
Mesmo que não saibamos qual é a verdade.
Teremos que esperar pelo nosso ponto final.
Numa história que não queriamos que acontecesse. Numa história que longe estávamos de entender que nos batesse na porta.
Se nos fosse possivel saber antes do tempo que um dia teriamos que viver com esta realidade, morreriamos antes do dia chegar. Porque mãe nenhuma quer viver o dia em que entregará o seu filho ao céu.
É difícil demais este papel.
É difícil demais esta luta!
É impossível viver esta agonia.
É uma constante guerra interna de emoções mascaradas pelo desejo de o voltar a ver.
No papel de mãe vive-se o crescimento dos filhos ou do filho. Vive-se todas as conquistas e derrotas do mesmo face à vida.
Sonha-se junto. Luta-se junto e pela felicidade desse ser que nasceu de nós, ou que nos foi confiada a sua vida, no caso do papel da mãe adoptiva.
No papel de mãe sois completas e arrebatadoramente felizes, porque eles caminham do vosso lado, onde os ensinam a viver uma vida tranquila.
No papel da mãe defilhada, já não existe nada para deslumbrar, e é por isso que somos arrebatadas para uma realidade dura, agonizante e sofrida de não os termos mais.
Pelo menos não da forma como gostaríamos, não da forma como vocês têm os vossos.
Na verdade todas somos mães lutadoras.
Uma mãe defilhada, tudo daria para ter de novo nos seus braços o seu filho tão amado.
Enquanto existem outras mães em que os seus braços não chega para os manter.
Umas lutam com os filhos em vida e outras continuam lutando mesmo que não saibamos como é possível.
Todas vivemos pelo amor.
Um amor materializado e um amor imortalizado no nosso coração.
Apesar de dificieis os tempos que vivemos a única coisa que nos distingue é a forma onde encontramos a força.
Vocês nos vossos filhos vivos.
E nós nas lembranças.
Com carinho,
A mãe do meu filho tem asas.
– Texto de Rute Reis Figuinha –

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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