Saudade

A dor é atroz!

A dor não se explica!

Ela vem de mansinho, com uma coisa aqui, com uma coisa ali, e acaba ficando confiante até tomar conta de ti por inteiro.

Passamos o tempo a tentar proteger os nossos filhos do mal, dos outros, dos acidentes, dos desgostos de amor, e não temos a noção de que muitas das vezes, a realidade é mesmo…

“Conseguir protegê-los deles mesmos!”

Vivemos uma vida com os nossos filhos e colocamos as nossas mãos no fogo, em como temos a certeza de que eles estão bem.

De facto, estão bem aos nossos olhos, fisicamente. São lindos, têm um corpo cuidado, são saudáveis, são enérgicos. “Vendem” saúde a quem por eles passa na rua ou priva com eles.

Mas…

O pior acontece!

Eles vão-se desgastando com as tristezas do dia a dia, com as tristezas dos pais, com os problemas familiares, com os desgostos de namoradas e namorados, com a baixa de notas, com a falta de objectivos, com um acidente que sofreu um amigo, um familiar, um conhecido, com a frequente baixa auto-estima.

Eles nem sempre nos pedem ajuda.

Nem sempre gritam por socorro!

Nem sempre partilham o que sentem.

Não por falta de coragem.

Não partilham, por amor.

Incrível não?

Eles não querem magoar os pais, e só por isso não nos querem preocupar.

Somente uma criança, um jovem acabado de entrar na etapa primária de adulto, pode realmente pensar desta forma.

Eles não sabem, ou não querem crer, que aquelas bemditas palavras que tantas vezes referimos…

Tenhas a idade de tiveres serás sempre meu filho, poderás sempre contar comigo. Nós somos os teus verdadeiros amigos, e jamais te deixaremos. Amar-te-emos sob qualquer circunstância, preferência sexual, religião ou credo.”

São realmente a nossa verdade e a deles.

Mas eles não vêem assim.

Talvez quando um dia forem pais, se eles se derem a essa oportunidade.

Já vos contei tantas vezes a minha história e não me canso de a partilhar, porque acredito que é falando, que podemos ajudar a salvar.

Já vos falei do roubo que sofremos no dia 24 de Maio de 2019. O motivo que despoletou o gatilho que levou o meu filho ao acto final.

Ele descreve a sua amargura perante o mal que um desconhecido provocou na nossa família, furtando-nos 1636€ na altura via fishing na internet.

A sua angústia patente em cada palavra escrita na folha do seu caderno.

Uma dor que lhe provocou um ato impensável para nós que tanto o amamos.

Uma solução que ele encontrou para o que julgou ser um problema.

Mas e o resto?

E as consequências da sua decisão?

Não sabia como ajudar-nos perante tal dificuldade e criou ainda uma bem pior como solução.

Solução?

Não de todo!

A morte não resolve, problema nenhum.

A morte intensifica e agrava o problema que já existe.

A nós custou-nos mais 1740€.

O preço do seu funeral.

Um preço que não pudemos pagar.

Porque o problema dos 1636€ não se resolveu com a morte do meu filho.

Ele piorou!

Duplicou!

Agravou!

Não ousem pensar que a morte serve de solução para remediar qualquer problema, porque na realidade só o irá intensificar, com a agravante de vocês se tornarem parte do problema e para sempre.

Com carinho,

A mãe do meu filho tem asas

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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