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A Depressão não deixa as pessoas pensar com clareza.

A Depressão não deixa as pessoas pensar com clareza.

A única conclusão a que a pessoa chega é a de aniquilar aquela dor que sente e que por vezes ela própria não encontra razões para tal.

Muitas, senão todas, as pessoas que passam pela depressão fazem uma consciencialização sobre o que são e o que tem na vida.

Exemplo 1

Tenho filhos, tenho uma casa, marido, carro, emprego, hobbie, amigos, boas roupas, calçados, tenho dinheiro, mas falta-me algo.

Exemplo 2

Tirei o meu curso, tenho namorado, tenho amigos, saio à noite, vou a festas, tenho os meus pais que me amam, meus irmãos, tenho dinheiro, tenho mota, carro, mas falta-me algo.

Algo que não consigo explicar, que não consigo alcançar.

Não tenho mais sonhos, nem desejos. A única coisa que quero é ficar em silêncio, sem ver ninguém, sem estar com ninguém, sem falar com ninguém e ali permanecer no escuro e dormir para sempre. Quero ficar isolada de tudo para sempre. Não consigo mais ouvir as opiniões sobre os outros, acerca do que eu posso ou devo fazer. Por mais que eu diga que não sei o que se passa comigo. As pessoas não entendem. Eu não entendo as pessoas.

Estou farta de ouvir sempre as mesmas opiniões, faz isto, faz aquilo. Ninguém sabe como eu me sinto verdadeiramente. Não há como! Eu sou eu e vocês são vocês! Só quero acabar com esta dor, quero não sentir mais nada. Só quero morrer.

Estes são alguns dos exemplos que encontro em tudo o que leio e nas partilhas que chegam até mim através de testemunhos reais.

Quando as pessoas se sentem assim tão desgostosas com a vida, desgostosas com elas mesmas, torna-se muito difícil mesmo aceitarem qualquer indicação e conselhos de pessoas que lhes são próximas ou até de seus psicólogos.

Sabem aquele sentimento que todos temos de vez em quando? Quando os nossos pais nos dizem para não fazer determinada acção e nós sentimos a necessidade de os contrariar?

É disso que falo. Quando a pessoa que já tentou o suicídio se sente aprisionada, a vontade que ela tem é ainda maior de colocar um fim à vida. Ela não aguenta a pressão, dos amigos, da família, dos professores, da sociedade no geral. Sente-se espionada em tudo o que faz, não se sente mais dona dela mesma.

Sim! É verdade que temos essa tendência natural para nos preocuparmos com quem amamos e por isso queremos evitar que seja possível haver nova tentativa, escondemos todos os comprimidos, os produtos de limpeza, produtos tóxicos, entre outras coisas, nem os deixamos sozinhos em casa. Torna-se uma luta diária para todos, sem tirar mesmo ninguém da equação. Tentamos falar com eles, compreender o que se passa na sua cabeça, que medos carregam na alma que não os deixa avançar.

Muitos são os jovens e pessoas que não conseguem conviver com a morte de alguém que amavam muito. Um pai, uma mãe, um irmão, irmã, avó, avô, tia, tio, um amigo ou amiga, ou até um animal de estimação. Muitos são os que lidam bem com os pertences que foram um dia de quem lhes era importante, e muitos são os que nem conseguem olhar em simples fotos.

Ninguém reage da mesma forma. Temos pessoas que só estão bem junto da campa de quem perderam, fazendo visitas diárias, ou semanais ao cemitério, e muitos são os que nunca lá chegaram a entrar. Nem mesmo no dia do funeral.

A nossa mente e a forma como encaramos a morte de alguém é complexa demais. Não devemos ser criticados pela maneira como conduzimos a nossa perda.

As famílias podem reagir de diversas formas perante uma tentativa de suicídio por parte de um membro familiar. Todas elas de maneira geral ficam inquietas, alarmadas com a situação, porque a tentativa de autodestruição desencadeia um sentimento de frustração e inquietação por parte da família envolvente. Chegam mesmo a haver diferentes tomadas de posição por parte dos membros da família. Uns que não aceitam de todo e nem querem falar no assunto, outros que tentam compreender e acabam por “sugar o oxigénio a quem já tem tão pouco” e os outros que simplesmente ficam do lado, porque muitas das vezes sentem-se assim também sem forças e sem ânimo.

A realidade é que muitas são as pessoas que ocultam os sentimentos de auto-destruição e levam anos a lutarem contra eles na sua mente e durante o seu dia-a-dia. Muitas são as pessoas que perante a droga, o alcoolismo, enforcamento, intoxicação por meio de medicamentos e excesso de velocidade na condução automóvel entre outros meios ligados à autodestruição tentam aos poucos o suicídio.

O suicídio pode ocorrer perante situações de grande sofrimento interno, onde a pessoa se tenta libertar do que julga ser a origem da sua dor. A dor interna torna-se intolerável e a autodestruição surge como forma de obter a resposta desejada. O suicido pode ainda surgir como vingança perante um amor não correspondido, ou uma chamada de atenção. O suicídio torna-se num estado de emergência com um instinto de morte bastante poderoso.

No caso do meu filho como já tenho vindo a referir por várias vezes, a depressão não lhe foi diagnosticada, porque o Pedro não o permitiu. Ele infelizmente já tinha enraizado o instinto de morte como solução para o que ele considerava como problemas.

E esse é um grande problema na adolescência. Nem sempre é possível ser diagnosticado o problema da depressão. Isto porque não existe adolescência normal sem depressão, se considerarmos o conceito de que a depressão é muitas das vezes manifestada por uma baixa de auto-estima.

Todos de uma maneira geral se sentem contrariados com algum aspecto de sua vida e a vontade de desaparecer torna-se maior do que o da existência.

É aqui que eu desperto para uma realidade nua e crua, que muito dificilmente teria sido possível o salvamento do meu filho. O seu sonho havia morrido e ele juntamente com o seu sonho.

Amo-te muito meu amor, tenho imensas saudades tuas.

Com carinho e esperança por todas as pessoas que de alguma forma sofrem,

A mãe do meu filho tem asas.

 

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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