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Hoje sei dar valor!

Desde a tua partida meu amor, consigo entender, a dor de alguém que me era muito querida. A minha avó Manuela Barbosa, também ela defilhada. Mãe de quatro filhos, sendo três meninos e uma menina.

Quando em 1977 a minha mãe de apenas 15 anos, falece no meu parto, o seu mundo desaba, mas como uma mulher de força que era, lutou pelo que acreditava mais na vida, os seus filhos.

Contra tudo e contra todos, ela venceu e criou sozinha três lindos filhos. Se foi fácil? não foi. Se foi perfeita? Também não! Mas era Mãe com um “M” grande e lutava com todas as “armas” que tinha. Sempre a amei do jeito que ela era, e isso bastava-me.

Em todas as vezes que ela me ligava pelo meu aniversário, Natal ou Páscoa, era impossível para ela terminar seu telefonema sem chorar, ou tocar no nome da minha mãe, sua única filha que tanto amava.

Na altura, eu sabia que ela sofria, eu própria debatia-me com essa luta diária mas no papel de filha, eu não conhecia a minha mãe. E desculpem que vos diga, mas é uma dor diferente. A dor de perder um filho é inquantificável e só quem perde, sente verdadeiramente a carga emotiva dessa realidade.

Na altura, numa posição tão leiga que eu ocupava, pensava o mesmo que muitos de vós. A minha avó tem mais três filhos que ficaram para acalmar a sua dor e assim trazer alguma cor a todas as aventuras do seu dia-a-dia.

Que errado! Eu também era uma ignorante nessa altura!

Depois quando o meu tio Orlando de Jesus partiu, também numa idade amadurecida da vida, a minha avó, já numa idade mais avançada, não conseguiu mais lutar contra a saudade.

Afinal, ela havia tido 4 filhos e restavam-lhe somente 2.

Com a tristeza que se apoderou do seu corpo, ela chegou a dizer-me no verão de 2011 quando lhe fui apresentar o meu Francisco Daniel,  que não tinha mais vontade de viver, que a vida havia-lhe sido ingrata e que não tinha mais motivos para se agarrar à vida.

Contrariei-a!

Disse-lhe: “Avó, por favor, não penses assim, tens tantas pessoas que te amam ao teu redor, tens mais dois filhos e os teus netos e bisnetos.” Mas ela baixou o seu rosto e disse-me já ter vivido tudo o que lhe restava. E foi a última vez que a vi com vida.

Lembro-me perfeitamente como se fosse hoje, cheguei mesmo a partilhar com o meu marido, que a minha avó se havia despedido de nós naquela visita, e que não voltaríamos a falar com ela. Ele concordou.

Por isso hoje, consigo entender e quantificar a dor da perda de um filho e a carga emocional que comporta no nosso dia-a-dia.

São erros que cometemos, a pensar que estamos a incentivar as pessoas carregadas de amargura pela morte de um filho.

Hoje vivo essa amargura e não é realmente nada fácil. Quase impossível até.

Avó desculpa-me por não ter usado as palavras corretas, quando deveria era ter ficado calada.

Avó amo-te muito e sinto-me abençoada por ter tido a hipótese, mesmo que tardia de te dizê-lo imensas vezes.

Se for possível avó, abraça o meu filho Pedro como se fosse um teu.

Amo-vos muito!

Eterna saudade de todos os meus, que já partiram.

Amo-vos a todos.

Com saudade,

A tua neta e mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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