Luto, Morte, Pedro, Saudade, Tristeza

Sinto-me tão sozinha

Diz-me como faço para ganhar um pouco de espaço no meu coração.

Ele está cheio de dor e saudade alimentado pela tristeza de não te poder abraçar, de não te ter ao meu lado.

Diz-me como faço para abrandar as batidas do meu coração, para não me lembrar da angústia de ter ver deitado naquele caixão.

Ai Pedrocas!

Que dor trago enraizada na minha alma, que todos os dias me agoniza e todos os dias me inferniza mesmo perante todas as gargalhadas, todas as rizadas que dou na companhia de pessoas que me são queridas.

Diz-me como faço para aniquilar aquele maldito dia de nossas vidas.

O caminho é tão duro, tão bloqueado pelos sonhos que te ficaram privados. Num caminho que a todo o instante nos pedem para termos força e é precisamente a força que nos faz falta.

Por mais vontade que tenhamos de seguir em frente neste caminho de areias movediças em que por mais que tu lutes, menos a tranquilidade está á vista.

Por vezes sinto-me tão perdida onde olho ao meu redor e pouca gente me entende. E eu sinto-me tão sozinha.

Todos os meus desabafos são muitas vezes escutados com as vozes do coração de cada mãe que enfrenta a luta diária de se manter acordada perante tão grande desilusão que nos impõe esta vida.

Nenhuma entende porque razão fomos as escolhidas para tão grande dor.

Nenhuma de nós entende porque nos tiraria a vida de nossos filhos que foram gerados no meio do amor.

Nenhuma de nós reconhece tamanho pecado que terá gerado a morte de um filho por nós grandemente amado.

Não existe explicação.

Não existe definição que com lógica seja por nós aceite.

Todas choramos as mesmas dores, as mesmas tristezas que quis o destino que fossemos obrigadas a vivê-las.

Todas nos unimos numa só oração, em que o nosso maior desejo era o de ter os nossos filhos vivos, cheios de saúde e alegria como qualquer criança, jovem ou adulto deve ser e ter.

Não importa com quantas horas, dias, meses ou anos, os nosso filhos nos tenham deixado.

A partir do momento que essa desgraça ocorreu, jamais voltaremos a estarmos completas enquanto vivermos.

Com um enorme respeito por todas vós,

Com um amor enorme pelo meu querido filho,

A mãe do meu filho tem asas.

 

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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