Luto, Morte, Pais, Pedro, Suicídio, Tristeza

Maldito Sejas!

Quem eu sou depois da morte do meu filho?

Não sou nada!

Vivo o meu dia-a-dia amargurada, com um aperto no meu peito, onde me vou agarrando ao pouco que tenho.

Hoje partilharam comigo a notícia de que o local onde o meu filho escolheu para colocar um termo à sua vida, está a ser vedado. Que obrigaram o seu dono a fazê-lo!

Quis a ironia do destino que fosse lá morrer o meu filho.

Eu fiquei sem ele, e nada me devolverá o meu Pedro. Prédio nenhum derrubado, ou vedado na Quinta do Brandão em Alenquer me trará o meu Pedro de Volta.

A morte do meu filho irá perecer sempre naquele local, para mim é como se estivesse assombrado.

Que dia meu Deus! Passei a tarde magoada com uma saudade exacerbada, fazendo um esforço para me suster e eis que sou confrontada com esta notícia.

Uma noticia que a mim não me diz nada! A mim não me devolve nada!

Só me coloca uma revolta cá dentro que não consigo pensar em nada com clareza.

Quase um ano se passou desde que fiquei sem o meu Pedro e só agora é notícia de que conseguiram vedar o local.

DOI! DOI DEMAISSSSSSS!

««Um perigo público para a comunidade!»»

Já o era antes da morte do meu filho! Mas onde estavam as medidas?

Sim ele poderia ter escolhido qualquer outro lugar! Mas não escolheu! Foi aquele! Precisamente aquele local na quinta do Brandão em Alenquer! Um perigo público para a comunidade! Sim, esse e muitos mais, que se encontram por todo o conselho, por todo o país, pelo mundo inteiro.

Vocês nem imaginam os meus dias, em que a todo o instante estou de frente para o maldito prédio no meu local de trabalho, todos os dias passo por ele, quando faço a estrada para o meu trabalho, todos os dias o percurso inverso é vivido por mim do mesmo jeito. Todos os dias a morte se ri para mim e me diz que ali morreu o meu Pedro.

Mas eu tenho que andar!

Mas eu tenho que reagir!

Mas eu tenho que lutar!

Mas eu tenho que sarar este coração que não é o mesmo, nem sente mais do mesmo jeito.

Tenho! Tenho! Tenho! Tenho! Tenho!

Tenho porra nenhuma! É o que eu sinto muitas vezes!

Hoje que me perdoem os que me lêem, mas deixei que a raiva e a revolta tomasse conta do meu pensamento e do meu coração. Hoje, palavra nenhuma me conforta, hoje nada me acalma a alma, o corpo e a mente. E o pior? É que esse direito ninguém me pode roubar!

Abraço nenhum me consegue acalmar!

Hoje não estou em mim.

Com um profundo desgosto,

A mãe do Pedro Figuinha,

A mãe do meu filho tem asas

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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