Irmãos, Luto, Morte, Pais, Pedro, Saudade, Tristeza

Nunca ninguém quer trocar de lugar connosco.

Diz-me como faço quando olho para o azul do espaço e procuro por ti num ponto luminoso.

Faço como sempre me ensinaram desde pequenina quando me diziam que uma avó minha e a minha própria mãe eram uma estrela, mas não chega!

Nessa altura chegava!

Mas agora não chega nunca!

Nada na vida é para sempre e já o referi várias vezes, contudo não precisava ser assim contigo.

Podias ter esperado por mim, que eu morresse na tua frente.

Busco conhecimento espiritual, busco o conceito do amor, compaixão e empatia pelo próximo que sofre da mesma dor.

Todo o meu conhecimento torna-me numa pessoa melhor. Escuto as vozes interiores que nem sempre me fazem sentido, mas aprendi a não fazer mais questões. Aceito e aplico o conhecimento que tenho junto do próximo que por vezes só precisa de uma palavra amiga que os compreenda, um ombro amigo que os permita chorar.

É sabido por todos, que a acção de julgar os outros é um sentimento muito forte, nutrido por alguém que não compreende o que o outro sente, nem o nível da sua dor.

É mais fácil julgar do que abraçar e ajudá-lo a nutrir toda a sua energia estagnada.

Abracem mais sem pedir nada em troca por favor.

Precisamos de mais empatia ao nosso redor.

Uma mãe que perde o seu filho ou filha não sente mais nada. Apenas se permite vaguear pelas ruas, em casa, no meio da sociedade que a rodeia.

Se as minhas emoções que tenho descrito com imensa dor, a colocam a si em marcha como um acto de esperança, então não pode desistir. Não podemos desistir. Já recebemos pela sociedade rótulos de mães que deixaram morrer os seus filhos rodeados de dor profunda. Não queiramos mais rótulos nenhuns depreciativos.

Somos todas mães ao mesmo tempo transformadas em guerreiras e lutadoras na boca da mesma população que outrora nos criticou, mas este acontecimento só ocorre depois de conhecerem a nossa história.

Para muitas sem se darem conta somos exemplos de força e determinação, para outras exemplos que não querem seguir, que não querem ser, porque não se querem ver no nosso lugar, não querem nem imaginar tamanha dor.

Egoísmo? Não!

Sobrevivência!

Não as condeno, só lhes peço respeito pela dor alheia.

Aceitar esta situação é um peso enorme nas nossas vidas que raras são as mulheres e homens que tem noção do quanto pesa.

Digo raras, porque graças a Deus que ainda nascem mais crianças do que as que morrem no mundo inteiro. Pelo menos assim espero eu.

Nunca ninguém quer trocar de lugar connosco!

Ninguém!

Não os condeno, acreditem!

Entendo-os! E como os entendo!

Hoje mesmo chega-me o meu Francisco Daniel a casa a chorar.

Chorava de saudades do seu mano. Perguntei do que se havia ele lembrado, e o Francisco Daniel respondeu-me:

– “Mamã, lembrei-me do mano Pedro deitado naquela cadeira, quando chegou na carrinha.”

Tentando entender o que o meu filhote me queria dizer, questionei se, se estava a referir à chegada do mano ao hospital. Resposta que recebi positivamente.

O meu filho de oito anos chorava de dor pela ausência de um mano que ele tanto ama e não consegue esquecer todo o episódio que o envolveu.

Lembrava-se daquela entrada horrível de ambulância pelo hospital, onde lhe foi permitido ver o seu irmão chegando de maca e inanimado, ligado a uma máquina que o mantinha vivo por pouco tempo.

Chorei! Chorámos juntos agarrados um ao outro e lamentámos as saudades que temos tuas meu amor.

Chorei por ver o teu maninho magoado com a tua ausência, chorei pela dor que carrego no meu peito, chorei pelas saudades que tenho tuas, chorei por nos fazeres imensa falta, chorei por me sentir tão pequenina perante o sofrimento dos teus irmãos, chorei por o ver a chorar.

Por último o Kiko faz-me um pedido que irei honrar até ao meu último dia de vida.

«- “Mãe! Promete-me que vamos sempre celebrar o aniversário do mano Pedro!”

– É isso que tu queres amor?

– Sim mãe! Muito.

– Então prometo filhote! Celebraremos o aniversário do mano Pedro todos os anos.

– Obrigada Mamã.

– Amo-te muito Kiko!

– Amo-te muito mamã!»

Quando me questionam como os meus filhos vão indo, eu respondo que têm os seus dias, e o facto é que não sei se lhes chamaria de dias, mas sim de segundos.

Sentem demasiado a falta do irmão, e nada nem ninguém consegue minimizar essa falta.

Podemos tentar, e podem tentar, mas jamais iremos conseguir. O lugar do Pedro no coração de todos nós que o amávamos de verdade, jamais será preenchido em tempo algum.

Jamais em tempo algum as coisas voltarão a ser o que um dia foram.

Como eu lamento vê-los a sofrer.

Com uma dor profunda de impotência,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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