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14 meses sem ti!

Quero!
Quero muito acreditar que vou sair deste mar de dor e agonia.
Quero muito acreditar que o que nos separa é somente um plano de energia, onde tu vives em uma frequência diferente da minha.
Todos os dias falo o teu nome.
Todos os dias os meus olhos tomam controlo do meu corpo e reagem a um pensamento ou a uma imagem retida numa fotografia.
Todos os dias olho para ti e como por magia vivo todos aqueles momentos de partilhas.
Tenho dias bons e tenho dias menos bons, mas… em todos eles eu fluo a minha energia de forma positiva.
Permito-me rir, gargalhar, dançar, brincar com pessoas que me dão de si e como que por magia alegram o meu dia.
O tempo flui e sou eu ali.
Mesmo que sempre com a mente ocupada pela saudade do meu filho, eu reajo aos estímulos do que me partilham e permitem partilhar.
Tem dias que nem vontade tenho de ir embora do trabalho, só para ficar para mais uma gargalhada, mais um abraço, mais uma piada.
Ainda hoje uma senhora que já lida comigo há algum tempo, desconhecia a minha perda, e ao olhar nos retratos que tenho na parede do meu escritório, me pergunta pelos meus filhos e me diz o quanto eles são lindos.
Ao partilhar a minha história com ela, ficou muda, sem reacção.
A única coisa que lhe saiu foi:
“Quem vê caras não vê corações!”
Ficou surpreendida como nunca reparou em nada, devido à minha energia, à minha forma de a cumprimentar, de brincar e interagir com ela e com quase todos.
Pois é…
A verdade… é que as pessoas não têm culpa da minha história de vida.
E eu só quero viver em boa energia.

Em verdade… Chego a pensar onde vou eu arranjar toda esta maneira de estar que retenho desde muito jovem.

Chega-me a fazer confusão, como existem pessoas que têm praticamente tudo e mesmo assim vivem numa revolta plena. Parece que o mundo está contra elas. Não sei se me faço entender, mas penso que sim.

24!

24 de Julho.

14 meses em que tento apagar do meu peito a dor que me cerca, a dor que me persegue desde a tua partida.

Todos os dias busco, fontes de energia que me sustente por aqui.

14 meses,

14 meses em que a minha vida ruí-o, em que o chão  se abateu debaixo dos meus pés.

14 meses de uma despedida, que acredito que não seja para sempre, mas sim, um até breve…Mas não deixa de ser dolorosa. Porque não te tenho aqui, porque não te vejo, não te beijo, não te abraço, não te cheiro, porque não cuido de ti.

Tem dias que é mais difícil, tem outros dias que as coisas fluem melhor.

Desistir não faz parte da minha maneira de ser… Não pelo menos no que toca à vida.

Não sei onde é que foste buscar isso…

Desistires de ti, desistires de tudo, desistires de mim. Mas não me resta outra coisa senão aceitar, e perdoar. Porque sei que é isso que tu irias querer.

Porque sei que é isso que me pediste, numa breve carta que me deixaste e não me deste hipótese de reivindicar.

Cá por casa, o mano Kiko tem andado mais em baixo,

Sinto que tem alturas que ele não quer falar, há momentos que se toca no teu nome ou se mostra algo teu e ele fecha a cara, fica triste, só para não chorar.

Tem outros momentos que procura por mim, pede-me colo, pede-me um abraço, pede-me que lhe enxugue-lhe as lágrimas. Ainda esta semana, inconsolado com a tua falta, no meio de tantas perguntas e tantos desabafos, voltou-me a perguntar.

KikoMãe! Tu e o Pai também vão morrer enquanto eu ainda for criança?

Bem… Esta é realmente uma resposta muito difícil de se dar, porque na realidade ninguém sabe, mas… Lá lhe respondi.

EuKiko. O que aconteceu ao mano Pedro não era suposto acontecer. Porque na vida, devemos nascer, crescer, envelhecer e depois morrer. Mas infelizmente não aconteceu assim com o mano Pedro. Ele partiu primeiro do que o pai e a mãe. Se a mãe e o pai vão morrer enquanto és menino… Desejo muito que não. Quero ver-te crescer, tirar um curso, tirares a carta, comprar um carro, uma casa, namorares, casares, teres filhos para eu poder brincar com os meus netinhos..Mas Kiko, sabes que todos temos que morrer um dia, só que uns partem mais cedo do que outros.

(nisto o Kiko fica ainda mais aflito e chora mais compulsivamente dizendo que tem tantas saudades do mano Pedro), abrançando-o, dou-lhe mais exemplos.

Eu– Repara Kiko. Tens os avôs. O pai da mãe e o pai do pai, certo? Ele ficou um pouco confuso, porque não se lembra do meu pai, mas o exemplo do avô paterno foi o suficiente. O avô é velhinho certo? E o Pai é adulto e já tem filhos homens e a ti pequenino, certo? Tens aqui exemplos de como funciona o correcto caminho da vida. Por isso contigo vai ser igual meu amor. Tu vais crescer, tornar-te um homem e quando já fores um homem grande, e nós bem velhinhos, é que a nossa despedida se dará. Não sofras antes do tempo. Sossega o teu coraçãozinho. As saudades que tens do mano são normais meu amor. Mas tens aqui a a mamã sempre para te ajudar. (Tentei dar-lhe mais uma ajuda). 

EuOlha Kiko, tenta fazer como a mãe. A mãe tem muitas saudades do mano Pedro. Tu perdeste um mano e a mãe perdeu um filho e é uma dor tão grande Kiko, que pai nenhum no seu perfeito juízo, se atreveria a pensar sentir um dia. Mas… apesar da perda do mano, a mãe está aqui. Brinca contigo, cuida de ti, ri, canta, dança, vou trabalhar todos os dias. E sabes como eu eu faço para conseguir?

Kiko – Não!

Eu – Faço de conta que o mano está numa viagem muito demorada pelo mundo fora onde não existem comunicações como era antigamente.

Kiko – Mãe! mas ele assim nunca mais vai voltar para casa. Eu nunca mais o vou ver.

Eu –  Verdade Kiko! mas… Existem muitas formas de ver-mos quem amamos. A mãe por exemplo vê muitas vezes o mano com o coração. E falo todos os dias com ele. Nem que seja, um “Bom dia Pedrocas, a mãe ama-te muito” Experimenta tu também fazer assim.

O Kiko agarrou-se a mim a chorar e agradeceu-me mais uma vez. É uma das coisas que eu acho notável no meu Kiko. É a necessidade que ele tem de me agradecer, por estar ali sempre que ele precisa de acalmar o seu coração.

Mas o que ele não tem noção… É que essa é nossa prioridade sempre até ao dia em que morremos.

Quanto ao mano David está mais forte do que nunca. Mas ele sente tanto a falta do teu abraço, da tua companhia, das vossas aventuras. Quase sempre surgem-nos abraços em silêncio terminando com um amo-te muito.

Já o pai mantém-se no caminho dele. Quieto no seu canto, sem falar sobre o que te aconteceu. Só fala de ti em vida. Para ele é difícil de aceitar que te foste embora sem uma despedida.

Tantas saudades que eu tenho tuas querido Pedro.
Tantas saudades de te ter aqui e de te poder abraçar, beijar, sentir.
As mesmas saudades que tento minimizar com cada momento e recordação que só os nossos vídeos e fotografias me podem saciar.
Amo-te e amar-te-ei eternamente Pedrocas do meu coração mas…14 meses é muito tempo, e ainda só agora começou.

Com amor e muita saudade,

A tua mãe.

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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