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11 meses e uma data que me vai custar viver

Passaram dois dias que fez onze meses onde a saudade rompe a minha alma e o caminho nem sempre é fácil de seguir.

Há uma saudade guardada dentro do meu peito que levarei comigo na minha morte. Uma saudade que não consigo amenizar porque me faltas tu para a suavizar.

Consigo entender cada palavra de uma mãe que já não têm mais nada para a agarrar à vida, a não ser a sua própria que merece ser vivida por tudo o que ela representa em sua maravilhosa essência de que é ter nascido mulher.

Compreendo quando uma mãe possuída e consumida pela dor incapacitante de não ter mais o seu único filho ou filha para contemplar consigo a vida, esta deseje a todo o instante a morte, porque apesar de ter os meus dois queridos filhos comigo, falta-me o Pedro e o sentimento em muito se assemelha à dor desta mãe e deste pai.

Mas estaria a ser cruel se dissesse que compreendo na totalidade ou que sinto o mesmo desespero.

Não posso! Não quero!

Não tenho esse direito a julgar o sentimento de desespero que leva muitos destes pais à loucura de se deixarem morrer aos poucos todos os dias, onde já resta muito pouco da força que tinham quando decidiram agarrar-se à esperança de não esquecerem as lembranças dos dias em que eram completamente felizes e não o sabiam.

Isto acontece com todos os que perdem um ser maravilhoso como um filho ou uma filha.

Aconteceu-me a mim!

Vivemos atolados em pensamentos e em problemas do quotidiano que nem sempre abençoamos o que verdadeiramente de rico temos. Fica tão difícil de respirar, sinto tantas vezes uma falta de ar que penso sucessivamente que são as saudades que me vão matar de solidão comigo mesma.

Aproxima-se mais um dia importante que era vivido com alegria e contudo neste momento nem sei como vou passar por ele.

“O dia da Mãe”

Tenho lindas fotos que representam estes dias de mães que vivi até agora e no entanto não sei como vou fazer este ano. Como vou viver este dia sem o meu Pedro, um dia onde eu me tornava uma princesa aos olhos dos meus amores e onde a corrente do nosso amor era inquebrável.

Este dia nunca mais voltará a ser o mesmo sem os meus três filhos agarrados a mim e a darem-me beijos e a dizerem-me o quanto me amam.

Faltará a tua presença física na foto que já vinha sendo tradição ser tirada com vocês agarrados a mim.

Ai filho!

Não tens mesmo nenhuma noção pois não? De todo o sofrimento que nos causaste e causas todos os dias com a tua ausência. Onde a tua presença não nos basta ser somente espiritual, ela precisava ser carnal.

Ontem mesmo o teu maninho Kiko, agarrou-se a mim e aninhando-se no sofá comigo, partilhou-me dois desejos que guardava no seu coração.

-“Mãe!”

-Diz Kiko.

-Eu tenho dois desejos na minha vida.

-Ai sim, filhote? E quais são? (longe estava eu de imaginar que eram estes)

-Um, é que o mano Pedro, não tivesse morrido e o segundo é que desejava que fosse mentira que ele não está mais cá connosco e voltasse a qualquer momento.

Abracei-o, e fazendo-lhe festas no rosto, disse-lhe que desejava o mesmo que ele, mas que esses desejos eram impossíveis de serem realizados, porque o mano não voltaria, pelo menos não da forma como o conhecemos.

O dia em que se assinala o primeiro ano da sua morte aproxima-se, assim como o dia do seu nascimento em que faria 20 anos.

Não sei como vou viver esta lembrança. Sinceramente já pensei em me isolar do mundo, sem ver e nem falar com ninguém, simplesmente fechar os meus olhos e deixar-me estar. Não sei como viver um dia do seu aniversário sem ele estar aqui, apesar de já o ter vivido uma vez o ano passado, mas ele estava na morgue ao lado e eu sabia que iria poder despedir-me dele. Iria poder contempla-lo mais uma vez enquanto matéria.

Não me julguem! Mas sinto que foi estranhamente diferente.

Eu estava em choque e hoje não estou mais.

Tenho porém uma promessa que terei de cumprir que é a de ter um bolo para lhe cantar os parabéns, como o Kiko me pediu para nunca o deixar de fazer.

Confesso sinceramente que me sinto imensamente perdida em relação a esta data. Sendo que não existem datas fáceis de viver a partir do momento que eles partem na viagem sem retorno.

Meu amor, tenho imensas saudades tuas e fica difícil gerir todos estes sentimentos que se atropelam uns nos outros e me deixam várias vezes sem reacção.

Com amor e uma terrível saudade.

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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2 Comments

  1. Nila Maria Chagas says:

    Obrigada por sua postagem. Sinto essa dor exatamente como a sua, pois meu único filho partiu as 22 anos e tem 2 ano e 2 meses, que vivo por viver. Não consigo escrever mais nada, porque as lágrimas se recusam parar de cair.

  2. Nila Maria Chagas says:

    Nila Maria Chagas

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