Luto, Morte, Pais, Pedro, Saudade, Suicídio, Tristeza

10 meses de uma dor que não desaparece nunca mais.

Hoje fez precisamente 10 meses que te foste embora numa viagem sem regresso. Digo fez, porque já passam das 19:11, a hora em que te foste, sem retorno numa decisão tomada no meio de um sofrimento que só tu tinhas a noção de estares a sentir.

10 meses filho, que não te contemplo fisicamente, presencialmente, envolta de tudo o que uma mãe e um filho tem direito.

Todos os dias falamos de ti cá em casa. Todos os dias falo de ti no meu trabalho. Coloco-te por todo o lado de forma a poder contemplar-te. É como se estivesses ali ao pé de mim a todo o instante. Só assim me sinto bem.

Apesar do tempo passar, a saudade não desaparece, a dor não desaparece, ela muda de forma, mas a saudade, ai, a saudade…essa, se torna demasiado castradora.

Volta e meia, tenho as mesmas questões na minha mente por responder, mas depois lembro-me do que li, no que nos deixaste como testemunho, e apesar de me tentar colocar no teu lugar, o meu pensamento logo remata a minha dor, dizendo que não era motivo para tal decisão.

Não, não , e não. Passem meses, passem anos e eu não vou compreender nunca o que te levou a um destino tão duro e cruel.

Hoje vivemos um período de tensão com o vírus que paira no ar, que teima em contaminar todas as pessoas, às quais tem acesso e muitas delas leva-as para a viagem sem retorno.

Já dei comigo a pensar no que dirias, acerca deste insólito que coloca o mundo inteiro do avesso, devido ao descontrolo humano.

Temo! Todos os dias temo. Todos os dias tenho medo de colocar os teus irmãos e o teu pai, em contacto com este vírus que ceifa vidas humanas. Não quero morrer e não suporto a ideia de poder perder mais alguém que tanto amo.

Todos os dias em nossa casa, a quarentena começa do zero. E eu rezo. Volto a pedir a Deus para que não me fazer passar por mais nenhum infortúnio deste tamanho.

10 meses meu amor, e o tempo vai deixando as suas marcas, na minha mente e no meu corpo.

O tempo não pára e aproxima-se o primeiro aniversário da tua morte.

Jamais em tempo algum eu esperei ter que viver com tamanha realidade cruel.

Tenho tantas saudades tuas meu amor. Tantas, que chego a ficar dormente. As lágrimas escorrem-me pela face, sem parar. A minha garganta forma um nó tão doloroso, que fica difícil de respirar. Tenho momentos que não consigo. Tenho momentos que fica tudo tão escuro ao meu redor.

O primeiro aniversário que eu não sei como irei reagir, não sei se terei forças. Não sei se contemplarei o teu nascimento no plano divino, como disse o Érik à sua mãe para ela fazer, ou se chorarei e me isolarei com tanta dor. Eu não quero ter que passar por esta lembrança novamente. O dia chegará e tudo virá com uma intensidade exacerbada e sem controlo. E pensar que no dia a seguir farias 20 anos.

Ai Pedro! Pedro! Pedro! Que dor meu filho, que dor.

Amo-te e amar-te-ei eternamente, mesmo que não aceite a tua decisão.

Com uma eloquente saudade,

A tua mãe,

A mãe do meu filho tem asas.

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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