Luto Morte Pais Pedro Saudade Tristeza

01 de Janeiro de 2020

Sinto-me vazia!

Deixei para tras um ano em que foi o último de vida do meu filho.

Entro num novo ano com uma sensação de vazio, um aperto enorme no meu coração, onde tento reagir aos estímulos que me rodeiam, mas a minha mente e a dor que sinto no momento não me permite.
Fico em silêncio e choro as vezes necessárias para libertar a minha dor das amarras que a prendem.
Foi a primeira passagem de ano em que chorei na minha vida!
O som, os gritos de alegria, o fogo de artifício que se via da janela da sala, o bater de tampas que o meu sobrinho tem o hábito de fazer doía.
Não fui capaz de nada.
E quando surgiram os abraços, chorei.
A frase tradicional de “Feliz Ano Novo”
Magoava imenso.
Mas tentei, até não conseguir e por volta das 02h dormia.
Dormi quase todo o dia de cansaço fisico e mental.
Só de pensar que comecei mais um ano onde não se encontra o meu filho é doloroso demais.
Por isso sim! Não há como se ser feliz depois de uma morte destas.
Tudo doi!
Respirar doi!
Andar doi!
Comer doi!
Adormecer doi!
Viver doi!
Que me desculpem as pessoas que eu amo e me amam de volta, mas vou tentando à minha maneira.
Vou tentanto até chegar a minha hora.
Não consegui desejar Feliz ano novo a ninguém, não porque não queira, mas porque a felicidade não se encontram nas palavras que proferimos mas sim nas atitudes e ações que desempenhamos na nossa vida e na dos outros.
Deste modo desejo-vos a todos VIDA!

Com carinho,
A mãe do meu filho tem asas.

Foto de Rute Reis Figuinha

Rute Reis Figuinha

O meu nome, Mãe.
Sou uma mãe de três filhos em que dois vivem comigo no plano terrestre e o mais velho de apenas 18 anos e 364 dias resolveu ir viver para o plano espiritual o resto da minha vida.
Somos uma família de cinco e seremos para todo o sempre.

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3 Comments

  1. Sandra Veloso says:

    Rute, sempre que posso leio os seus textos (desabafos) e compreendo o que sente pois, a minha irmã também perdeu um filho num acidente.
    Não há muito que se possa dizer por isso coragem e muita força, um beijinho e um abraço apertadinho.
    Sandra Veloso

  2. Mãe Sofia says:

    Olá Mãe
    Sou mãe de um Menino Que Queria ser Sol.
    Entendo palavra por palavra o que descreve. Palavra que entendo. A minha não-passagem de ano deu-se em 2016. O meu Simão faleceu a 7.11.15.
    Não tenho nada a dizer que acalme a saudade…
    apenas lhe dizer que a entendo palavra por palavra.
    5 passagens de ano após o ano que não deveria ter terminado voltei a ir ver o fogo e misturar-me com a multidão. Chorei de saudade e ausência mas também de alegria por estar de pé tanto tempo após perder o chão.
    Disponível para conversar quando sentir que precisa.

    1. Rute Reis Figuinha says:

      Olá Mãe Sofia,
      Grata desde já pela sua mensagem, por me acompanhar nesta luta diária. Lamento profundamente a sua perda. O Simão certamente estará feliz pela Sofia se conseguir ir erguendo pouco a pouco.
      Estarei aqui igualmente para si, sempre que precisar.
      Deixo-lhe o email que criei para que possamos falar.
      omeufilhotemasas@sapo.pt
      beijinho enorme no seu coração.

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